3 de agosto de 2010

Socorro! Alguém me acuda!

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Era um dia de sábado! Dia de feira na minha cidadezinha do interior. 

Acordei com o firme propósito de ir até a casa da Chica e fazer as pazes. Não sei como faria para chegar até lá com a minha cara de Amélia.

Queria levar um presente pra Chica, mas não sei o que poderia levar, pensei em levar um caderno novo que tinha na estante, mas depois pensava:

Prá que Chica quer um caderno? Já sei.

Prá anotar as medidas das clientes, mas a minha mãe não permitiu, pois ali era meu material da escola!
Olhava pra um lado e prá outro e não sabia o que levar prá Chica. Pedi prá minha mãe um presente prá Chica e ela me respondeu que não precisava, pois a Chica não gostava de presente!

- Nunca ouvi falar que uma pessoa não goste de presente!
- Quem falou isto pra senhora?
E eu não tinha sossego! 
Como faria prá chegar à casa da Chica? Então lembrei que a Chica gostava muito de doce. Fui até o armário e peguei as mariolas do meu irmão enfiei no bolso do meu macacão novo, confeccionado pela Chica e perna pra que te quero em direção a casa da Chica fazer as pazes.

A correria foi tão grande com aquelas mariolas dentro do bolso, que calcei o tênis sem as meias e parti pro meu destino.
As ruas cheias de gente, por causa da feira, e eu num passo só, rumo à casa da Chica. 
Quando de repente, sinto algo dentro do meu tênis. Mas, fui andando e aquele negocio tomando conta do meu pé.
De repente, estacionei igual uma pedra, pois na minha mente deveria existir ali uma serpente tamanho do mundo, enrolada no meu dedo.
O terror tomou conta de mim naquela hora, e no mesmo instante comecei a gritar feito louca no meio da rua, e como a feira estava cheia de gente, só vi mesmo todo mundo olhando pra mim querendo saber o que era!
Já sabe como o povo é curioso. Principalmente na feira. E aquela feira era famosa, todo mundo dar noticia da vida de todo mundo.
Comadre vai e comadre vem e os cochichados era mesmo o jornal da vida alheia que corria solto sem dó e nem piedade!
E eu com meu tenis e meu pé,  saí em disparada gritando, minha nossa senhora me acuda! E uma multidão de gente atrás de mim querendo saber do que se tratava.
- Aconteceu alguma coisa com a filha de SEU... (nome do meu pai)
E aquela jibóia enroladas no meu dedo, se eu não chegasse logo em casa por certo iria me engolir!
Meu pai parou de trabalhar, seus funcionários também, porque o alvoroço foi grande! Aquele mundaréu de gente atrás de mim sem entender nada, por pouco minha mãe não enfartou!
Até a Chica apareceu para ver o que era, e meu pai tirando o meu tênis, viu que ali tinha um filhotinho de barata, do tamanho de um grão de arroz, mortinha coitada, com as pernas pra cima.
Só ouvi as vozes resmungando! Se essa menina fosse minha filha, dava-lhe uma surra! Isso é coisa que se faça? 
Acho que aquele povo todo preferia me ver engolida pela tal serpente da minha imaginação.
Meu pai ficou bravo, minha mãe também, eram dedos apontados na minha bela face branquinha e vermelha da cor de pimenta, tamanho foi o susto ao imaginar que meu pé estava sendo degolado por uma jiboia. E ainda por cima as mariolas do meu irmão caíram do meu bolso e foi uma tarde pra não se esquecer tão cedo!
Mas a Chica estava por ali e não deixou ninguém brigar muito comigo, inclusive meu irmão que tinha um ciúme danado das suas mariolas, terminou entrando na confusão porque estava proibido de comer tanto doce.
E assim fiz as pazes com a Chica, naquele dia não fui a sua casa, estava esgotada com os acontecimentos, mas na segunda feira eu iria
E fui mesmo!

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