16 de setembro de 2010

Chica e as histórias de lobisomem


E assim a vida na minha cidade voltava ao normal. Durante o dia a criançada ia pra escola, as mães iam ao mercado fazer compras, outras iam pras lojas comprar tecidos para fazer roupas, outras iam pras boutiques ver as novidades, outras ficavam em casa cuidando do lar. Os homens saiam pro trabalho, outros sentavam na pracinha pra falar de futebol e das mulheres feias e bonitas da cidade. À noite as moças saiam pra dar umas voltas na pracinha, outras iam se encontrar com o namorado, outros iam pra escola e outros iam pras igrejas.

Tudo na santa paz, porque o lobisomem não quis ficar por ali não.
Acho que ele não tinha quem assustar, e para não morrer de tédio se mandou!
Depois acredito que não ia trocar o seu juízo com uma muriçoca.
Voltei a freqüentar a casa da minha Chica do coração, era chegar em casa da escola, almoçar, fazer a lição e depois mostrar pra minha mãe se estava correta e em seguida:

- Mamãe posso ir ajudar a Chica?

- Vá, mas já sabe, cinco horas em casa!

A semana foi pequena para tantas histórias de lobisomem que a Chica tinha pra contar! Inclusive de um, que entrou na casa da mãe dela, e comeu a comida toda e deixou todo mundo com fome!
Eu já andava de olhos arregalados, assustada, olhando atrás das portas e embaixo da cama pra me certificar que por ali não tinha um escondido!

Outro, assustou uma vaca e a coitada sem ter para onde correr entrou na casa da irmã da Chica e tiveram que deixá-la ficar uns dias no quintal da casa, porque não tinha como tirá-la de lá. Nem mesmo o dono dela conseguiu!
Foi quando tiveram a idéia de desenhar um lobisomem num papel e mostrar prá vaca que convenceram ela a voltar pra casa!

Às cinco horas em ponto, se não estivesse a caminho de casa o portador vinha atrás:

- Como é. Não tem mais casa não?

- Ou quer que traga a mala?

E sem responder uma só palavra voltava pra casa. E se não voltasse no mesmo momento não poderia retornar pra casa da Chica no dia seguinte.
Na verdade estava curiosa pra saber de mais estórias de lobisomem.

Cruz credo! O terço da minha mãe não saia do meu pescoço!

Trem da Alegria
O Lobisomem


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