2 de maio de 2012

Direto do Baú da Chica: Desenterrando Defunto

Calma ai! Porque o defunto aqui é a estória de um homem chamado lobisomem!
E viajando nas asas da imaginação decidi:
É hoje!
É hoje que vou ver um talzinho de blog da chica chata! Se fosse no tempo da chica ela com certeza iria me mandar medir a audiência do blog com uma fita métrica!
E eu que nunca perdi a mania de querer saber de tudo perguntaria:
Mas, como é que mede?
E ela mudaria de assunto, só para não ter que responder uma pergunta que não sabia a resposta.
Como o sapato de nome Luiz XV, que só pude mesmo compreender, quando ganhei do meu pai um dicionário, tantas eram as perguntas que eu fazia.
Mas como esse bloguinhozinho não foi criado para fazer sucesso nenhum e nem tem esta pretensão coitado, de vez em quando viaja.
E hoje resolveu voltar ao baú da chica para retirar alguns guardados.
Aquele baú encantado, que na minha imaginação era cheio de ouro, pedras preciosas até a tampa. Mas, que guardava pura e simplesmente um vestido velho de noiva e roupinhas de recém-nascido já amarelados pelo tempo. Revira e revira e lá está a estória do lobisomem e foi exatamente como eu disse, aliás, escrevi e quem espalhou esta estória foi o guarda.
O Lobisomem
Pois é, ultimamente não estava querendo sair muito de casa, tudo por causa de uns boatos que andavam correndo pela minha cidade.
Diziam que por ali a meia noite, andava um lobisomem! E eu só de pensar já sentia arrepios.
Na escola o assunto era um só. O guarda da noite foi quem falou que bateu de cara com um homem de nome lobisomem. O coitado sequer teve tempo de abrir a boca para perguntar quem era, e o tal lobisomem colocou aquelas mãos horrorosas pra fora e fez o coitado chegar em casa com o coração saindo pela boca!
No outro dia, o assunto era um só! O lobisomem invadiu a minha pequena e pacata cidade, que não devia um centavo pra ninguém e agora se via com um problemão desses!
Todo mundo agora tratava de reforçar as trancas das portas e lá em casa não foi diferente!
Não se via mais um filho de Deus sentado na calçada falando da vida alheia. E prá ser sincera, quem ia querer se ocupar da vida de ninguém com um assunto desses para se preocupar!
Na Igreja, na missa das seis horas, o padre era obrigado a celebrar a missa somente para o sacristão porque os fiés mesmo, que era bom, não tinha nenhum pra rezar um pai-nosso!
Até o sacristão queria que o Padre rezasse a missa de portas fechadas, com medo do lobisomem aparecer e acabar com a Igreja. Mas na missa do domingo, o padre tentava acalmar e explicar a aquela gente, mas ao sair da Igreja o povo dava o dito por não dito e preferia não arriscar!
E foi nesse reboliço todo que de noite ninguém dormia direito vigiando as portas. Na rua, não existia uma alma viva. Somente o vento, para deixar aquela situação de cabelo em pé.
Prá casa da Chica, nem pensar, principalmente porque fiquei sabendo que o lobisomem gostava mesmo era de menina que perguntava muito, e de cabelo curto com um centímetro de franja. Eu de minha vez, pegava o terço da minha mãe e ficava pedindo perdão a Deus dos meus pecados.
E foi numa certa noite de lua cheia que o negocio esquentou de verdade, ouviu-se uma gritaria no meio da noite. Imagino a quantidade de ouvidos afinados para ouvir a voz do lobisomem que estava assustando uma cidade inteira e não dava sinal de vida!
Era a voz da muriçoca, batendo boca com o tal de lobisomem!
Venha prá cá seu estrupício,
Venha aqui encarar a muriçoca,
Tá com um mês que não saio de casa, por sua causa!
Mas hoje a porca torce o rabo e nós vamos decidir quem é que manda aqui de noite!
Essa cantiga durou a noite toda, ninguém dormiu ninguém saiu pra ver.
Só sabemos que o lobisomem não quis enfrentar a muriçoca e pelo visto desapareceu.
A muriçoca amanheceu como sempre dormindo na calçada da Igreja.
E ninguém ouviu mais falar no lobisomem.

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