23 de outubro de 2013

Meu emprego e meu dinheiro

E dando continuidade ao assunto, jamais posso esquecer, e ainda bem que mudei.
Quando criança, se tinha uma coisa que eu gostava demais era de dinheiro.

Não consigo entender até hoje porque, se criança gosta mesmo é de brinquedos eu era apaixonada por dinheiro. Era negociante de primeira e teria me formado no assunto se meu pai não cortasse as rédeas.

Não conto as vezes em que me aventurei em sair pelo comércio, de loja em loja pedindo emprego de balconista ou vendedora. Era tão pequena que talvez fosse da altura do balcão das lojas. E claro, quem iria dar emprego pra mim? E ai de mim se meu pai descobrisse.

Mas para não dizer que não tive sucesso nenhum, um dia consegui um emprego na feira, numa banca de manga e banana. E eu toda feliz da vida fui chegando e me empregando na mesma hora e de olho no quanto iria ganhar no fim da tarde.

Estava eu lá de nariz empinado por traz da banca de fruta que mal se podia ver a não ser meus cabelos lindos e loiros e bem penteados pela minha mãe. E eu esperta que só eu mesma estou lá retirando as mangas e bananas das caixas e colocando na mesa comprida de quase três metros, quando chega alguém que eu conhecia muito bem: o meu pai.
E tudo foi tão rápido que não tive tempo de me esconder por baixo da bancada. Aconteceu que uma amiga da minha mãe foi pra feira e me viu e não acreditou no que estava acontecendo ali, e nem fez a sua feira foi direto na minha casa contar o acontecido pra minha mãe que já contou pra meu pai, que nem terminou de ouvir a história direito e saiu voando com destino a feira e no ponto da banca de mangas.
Tremi feito uma vara verde, não sei como não tive um piripaque naquela hora.

Meu pai foi chegando e arregaçando o braço da camisa para colocar o dedão bem no olho do dono da banca para que explicasse o que era que a filha dele estava fazendo por detrás daquela bancada!
Só sei que ele disse bem assim: Mas essa menina é sua filha? E meu pai mandou o meu chefe tomar vergonha e pegou pelo meu braço e lá se foi o meu emprego pro brejo e o dinheiro que eu iria receber também.
Em casa foi aquele sermão com minha mãe e sua ladainha? Está passando fome? Está lhe faltando alguma coisa? Pra que você quer dinheiro? Seu pai não lhe dar tudo que precisa? Cada pergunta, uma mais difícil que a outra.
Mas o meu negócio é que eu precisava de dinheiro pra comprar linha, botão e enfeites para fazer roupinhas de bonecas para vender para as minhas colegas na escola. E depois eu conto!

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