5 de outubro de 2013

Passarinho Cantor

Se existe uma pessoa que nasceu para ter ideia esta pessoa aqui era eu. Quando andava meio que calada, sem muita conversa, a minha mãe já sabia e dizia: tá pensando em que? Não me venha com mais uma das suas. No interior era assim, todo mundo se conhece, todo mundo sabe da vida de todo mundo. As crianças da minha idade iam pra escola sozinhas, não existia essas violências que vemos hoje, principalmente tarados. E se tivesse não eram malucos de colocar suas neuras em ação porque as filhas eram grudadas nas saias das mães, que não precisavam sair de casa para trabalhar e deixar os filhos sozinhos. E se acontecesse um negócio desses, o final era feio, que nem é bom contar. E nesse vai pra lá e vem pra cá, um dia encontrei uma feiticeira, que ao me ver parada admirando aqueles  vestido estampado, saia rodada e comprida até os pés, cabelos longos e tranças que vinham até a cintura. E nesta admiração toda, se aproximou aqui da minha pessoa, tico de gente, que da vida não sabia nem o bê-á-bá e foi logo pegando na minha mão e destrinchando o meu futuro inteiro até o fim da vida, e da minha mãe e do meu pai e de todo mundo. Mal a aula acabou e sai correndo igual a um foguete para contar para a minha mãe tudo o que ela havia falado, que a minha mãe precisava ter muito cuidado porque meu pai estava não sei o quê, não sei o quê, e não sei o quê mais lá! E minha mãe que era muito católica, não quis saber desta história de leitura de mão e me disse que no dia seguinte quando fosse pra escola ia mandar meu pai me vigiar para saber se eu ia ficar de prosa com desconhecidos no meio da rua. E eu quando vi a feiticeira novamente, nem pensei duas vezes e sai em louca disparada, chegando na escola com o coração saindo pela boca. Ao terminar a aula, o retorno foi o mesmo e ninguém se incomodou porque eram acostumados a me ver feito um fogo de artifício. E chegando em casa, foi grande a minha surpresa porque a feiticeira estava lá para dar prosseguimento a retirada do encosto que dizia está com a minha mãe. Era um tal de pedir isto e aquilo, e eu nestas alturas dizia que quando crescesse seria uma cigana porque a feiticeira disse que eu sabia ler a mão, só precisava treinar e se não treinasse ficaria doida. Só sei dizer que meu pai entrou e acabou com o saravá que tinha arroz, feijão, farinha e ovo. Mandou recolher aquela feira e sair fora da sua casa. E eu ainda tive a coragem de perguntar: e agora como vou aprender a ler a mão? E meu pai só respondeu: Não tem juízo? E por duas ou mais semanas pra ir e voltar da escola era com meu pai de guarda costa. E meu pai quando dava uma ordem era pra ser cumprida. E toda vez que via pessoas lendo a mão, a carreira era feia! Porque a minha mãe contou pro padre que veio falar comigo para me dizer que se continuasse com esta história ia nascer em mim dois chifres preto e um rabo. Que eu fosse criar juízo e que rezasse 10 Pai Nosso e 10 Ave Maria, um Creio em Deus Pai e uma Salve Rainha. Então o negócio era mesmo sério. Cruz credo! Te Arrenego!

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