19 de maio de 2014

Chica e a Chata

História da Chica e da Chata.

Como descrevi no inicio do blog, Chica era a costureira da minha mãe, verdadeira artista na arte da costura e Chata era eu que não saia do seu pé.
Na verdade peguei a Chica e a casa da Chica pra cristo, como diz o dito popular. Não tinha muito o que fazer alem de estudar e encher os patuás da minha heroína que era a Chica.
Se existia uma dúvida povoando a minha cabeça de minhoca, a Chica era o meu dicionário sentada em uma cadeira dia e noite costurando naquela máquina movida a pedal.
Aquilo pra mim era lindo demais, Chica quase da altura de uma porta e aquele pé comandando aquela máquina de onde saia os vestidos mais lindos do mundo. Aprendi a usar a fita métrica com a Chica e xereta do jeito que era tinha a mania de medir os ombros dos vestidos para ver se estavam iguais, e estavam mesmo certinhos. Era xereta até demais, mas no bom sentido, não era xeretamento de especular a vida dos outros, coisa que sempre detestei até hoje.
Mas no sentido de buscar respostas, estudando, pesquisando e perguntando.
Bom essa era a Chica, a dona da paciência e eu era a Chata pelo menos é o que diziam, que eu era uma pedra no sapato, ou purgante. Defensora da Chica, e aí de quem não pagasse pra Chica e ai de quem enchesse muito o seu saco por causa de roupas pois eu que não tinha nem um metro valia por Chica que tinha dois.
Tempos bons aqueles, por mais que tenha vivido e experimentado o lado bom da vida jamais vou esquecer daqueles tempos da Chica. Uma felicidade verdadeira. Acredito que na nossa memoria ficam armazenados para sempre as situações que vivemos quando criança. Não conheci o que era tristeza a não ser no dia que tive sarampo e catapora. Fora isso era só alegria o meu viver. Tinha um pai maravilhoso, uma mãe que era uma santa, uma Chica para encher o saco, e sete irmãos para eu mandar em todos eles se tivesse oportunidade.
Tinha uma porção de brinquedos, uma boneca de nome calunga e uns 10 bonequinhos que eram seus filhos.
Tinha a casa com os moveis azuis que eu brincava de vez em quando, não era muito chegada a brincar de casinha não, meu negocio era especular por que, onde foi e quando, e se me vissem concentrada brincando de bonecas era porque havia aprontado alguma e esperava somente o desfecho com a cara mais lambida do mundo.
Tinha a mania de escutar história e quando chegava uma visita eu já sabia de cor e salteado a velha e costumeira ordem: Já pra sala estudar, tá querendo escutar o quê? E na casa da Chica, tribuna daquelas alvoroçadas discutindo moda era meu palco predileto, lá eu sabia de tudo, isso quando não diziam olhando pra mim:
Cuidado! olha quem tá aí! 

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