4 de agosto de 2014

Será que é fim de mundo?

Se eu contasse essa história pra minha avó ela com certeza diria!
Minha filha! É o fim do mundo! É que minha avó, que Deus a tenha, teve a grande sorte de não ouvir nem falar nos absurdos que vemos hoje.
É tanta coisa, tanta coisa, tanta coisa que a coitadinha que não era acostumada a tanta trambicagem, se soubesse daria um passamento e morreria na hora, antes do tempo.
E um dia quando tivermos netos, o que será que eles terão para nos contar se nós já vivemos encardidos de ver tanta coisa que não dá em absolutamente nada.
Antigamente criava-se gato e gato caçava rato. Hoje em dia, rato ficou mais esperto que gato e pra mostrar pro dono que gato é gato precisa passar por uma humilhação dessas. Caçar rato com uma espingarda. Pode?
Mas a história que eu teria pra contar pra minha avó não seria essa não. Seria a história da pata pagando o pato.  
A Zumira, mulherzinha metida a besta, toda cheia dos não me toques que nem tamanho tinha, não passava de um metro e meio e olhe lá!
Tirando os saltos altos de quase um palmo deveria medir 1.45 de altura ou menos. Bom, mas isso não tem importância, porque eu também não passo de um metro e meio e sempre digo que tamanho não é documento.
De vez em quando alguem me chama de baixinha e faço de conta que não vejo. Até dizem que nós temos o pavio curto, que não crescemos de ruim. Ruim no bom sentido porque a Zumira era maquiavélica. Briguenta e metida a valente era ela mesma.
Tinha uma lábia que Deus me livre! Convenceu a pata a pagar o pato, ora veja! Conversava muito bem com seu português sem faltar uma virgula e quem a visse com seu tra la la jurava de pé junto que a Zumira era o próprio retrato da honestidade em pessoa.
Estava me esquecendo de lembrar, que nessa história tem também a Dona Patolina. Nome mais feio e sem graça esse! É que Patolina vem de Pata e quem paga pato não é a pata é o pato esqueceu? Então é Patolina!
Zumira e Patolina tinham uma amizade daquelas de uma almoçar na casa da outra, de tititi daqui, tititi dacolá, carne e unha.
E Patolina besta que só uma vaca velha, achava a Zumira a criatura mais honesta, mais integra, que existe na face da terra.
Pense numa mulher honesta! Pensou? Era ela. A Zumira.
Pois a Zumira soube espalhar tão bem a sua candura e honestidade, que eu já cheguei até a ver com esses olhos que um dia a terra há de comer, Dona Patolina tomando passe com a Zumira.
Pois não é que a Zumira foi aprender a benzer só pra benzer Dona Patolina, que nesse dia teve uma dor de cabeça e uma dor de barriga tão grande, daquelas de revirar as tripas que foi parar no hospital só o pó da rabiola.
E Dona Patolina mais besta que um jumento cagando numa noite de chuva, contava a sua vida todinha todinha, tim tim por tim tim pra Zumira, que sabia até a hora exata que a Dona Patolina ia pro banheiro. E a história é pra mais de metro, e eu vou contar! Sossegue! Enquanto vou ali, deixo o gato pastorando o rato!

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