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11 de setembro de 2010

CORTE DE MEIA CUIA



Aquele corte de cabelo, me fez passar maus pedaços. Em casa, na escola, na rua, era mesmo de chamar atenção.
E como meu olho, era olho de raio-X, se é que raio-X tem olho, se tem era igualzinho ao meu. Conseguia ver o olhar da pessoa e o pensamento também. Na escola é que foi feio mesmo, três colegas de classe tiveram três dias de suspensão por causa do meu cabelo. A sala de aula virou palco de algazarra e eu o palhaço.
Tinha uma mulher moradora de rua, que tinha o cabelo bem parecido com o meu e o pessoal a chamava de muriçoca. E para infelicidade minha resolveram me chamar de a filha de muriçoca.
Muriçoca deu a luz e ninguém sabia onde estava a filha.
Olha ela aí.
Chegou a filha da muriçoca.
Era alguém mexer com meu cabelo e em dois minutos estava na sala do diretor, que ao me ver perguntou se tinha tido piolho.
Como ninguém podia me ajudar e como eu não podia levar esse problema pra casa, fui à delegacia chamar a policia.
O delegado ao ver aquele corte Chanel de meia tigela, ou melhor dizendo, de meia cuia, perguntou:
-Mas, minha filha! Quem fez um estrago desses na sua cabeça?
Eu respondi categórica: fui eu mesma com a tesoura e uma cuia. E lá fiz a minha reclamação, fomos até a escola, conversaram com o diretor, e depois me levaram em casa. Na minha pequena cidade do interior, todos se conhecem e todos são amigos uns dos outros e se ajudam e partindo desse principio ninguém mais riu do meu cabelo.
Minha mãe me levou a cabeleireira, e ela fez o que era possível fazer! O problema mesmo era a franja de um centímetro. Mas, passou e nunca mais inventei moda!

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