UM HOMEM DE NOME LOBISOMEM



Pois é, ultimamente não estava querendo sair muito de casa, tudo por causa de uns boatos que andavam correndo pela minha cidade.

Diziam que por ali a meia noite, andava um lobisomem! E eu só de pensar já sentia arrepios.
Na escola o assunto era um só. O guarda da noite foi quem falou que bateu de cara com um homem de nome lobisomem.

O coitado sequer teve tempo de abrir a boca pra perguntar quem era, e o tal lobisomem colocou aquelas mãos horrorosas pra fora e fez o coitado chegar em casa com o coração saindo pela boca!
No outro dia, o assunto era um só! O lobisomem invadiu a minha pequena e pacata cidade, que não devia um centavo pra ninguém e agora se via com um problemão desses!

Todo mundo agora tratava de reforçar as trancas das portas e lá em casa não foi diferente!
Não se via mais um filho de Deus sentado na calçada falando da vida alheia. E pra ser sincera, quem ia querer se ocupar da vida de ninguém com um assunto desses pra se preocupar!
Na Igreja, na missa das seis horas, o padre era obrigado a celebrar a missa somente para o sacristão porque os fiés mesmo, que era bom, não tinha nenhum pra rezar um pai-nosso!

Até o sacristão queria que o Padre rezasse a missa de portas fechadas, com medo do lobisomem aparecer e acabar com a Igreja. Mas na missa do domingo, o padre tentava acalmar e explicar a aquela gente, mas ao sair da Igreja dava o dito por não dito e preferia não arriscar!

E foi nesse reboliço todo que de noite ninguém dormia direito vigiando as portas. Na rua, não existia uma alma viva. Somente o vento, para deixar aquela situação de cabelo em pé.
Prá casa da Chica, nem pensar, principalmente porque fiquei sabendo que o lobisomem gostava mesmo era de menina que perguntava muito, e de cabelo curto com um centímetro de franja. Eu de minha vez, pegava o terço da minha mãe e ficava pedindo perdão a Deus dos meus pecados.

E foi numa certa noite de lua cheia que o negocio esquentou de verdade, ouviu-se uma gritaria no meio da noite. Imagino a quantidade de ouvidos afinados para ouvir a voz do lobisomem que estava assustando uma cidade inteira e não dava sinal de vida!
Era a voz da muriçoca, (moradora de rua)batendo boca com o tal de lobisomem!
Venha pra cá seu estrupício, 
Venha se é homem!
Venha aqui encarar a muriçoca,
Tá com um mês que não saio de casa, por sua causa!

Mas hoje a porca torce o rabo e nós vamos decidir quem é que manda aqui de noite!
Essa cantiga durou a noite toda, ninguém dormiu, ninguém saiu para ver. 
Só sabemos que o lobisomem não quis enfrentar a muriçoca e pelo visto desapareceu.
A muriçoca amanheceu como sempre dormindo na calçada da Igreja.
E ninguém ouviu mais falar no lobisomem.
Maria de Lourdes

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