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10 de agosto de 2014

A PELEJA DE ZUMIRA E PATOLINA

00:44 0 Comments

E o contra regra falou
Em nome de jijus Crispim
Conte logo essa historia
Pois ta dando farnizim!

Calma, alvoroçado!
Vai medir minha imaginação?
O senhor mesmo que disse
Pra contar a prestação!

E era presentin pra aqui e era presentin pra lá
Pratin do bolo pra aqui, pratin de pudim pra lá

Era um chaleramento, um puxamento de saco tão grande de fazer nojo. 
Que um dia eu tive que rodar a baiana.
-Escute aqui dona Patolina, a senhora precisa se dar o respeito viu? 
Senão uma hora dessas sua vaca vai pro brejo. 
Onde já se viu?
E a dona Patolina não gostou não visse?

-Vá dar o seu palpite noutro terreiro, viu sua enxerida!
-Tá me chamando de galinha dona Patolina?
Oxente onde foi que eu disse isso?
Pois eu pensei que disse e eu ia lhe responder bem assim:
Quem é dona de terreiro é pata, mas já que a senhora não disse, eu também não vou dizer.
E ficou o dito por não dito.
Com seis meses em ponto do regresso, a dona Patolina chama a Zumira pra uma conversa de pé de orelha e lá se vou eu de novo pro meu sofrimento! grudar meu ouvido na porta! 
Será que vai dar aumento? Será que vai subir de cargo? O que danado essas duas vão cochichar? Pensei.
E para minha surpresa ouvi bem assim:
Zumira! não dá pra continuar te pagando esse por fora e é só isso. Se quiser continuar com o que está registrado tudo bem você fica, senão vamos acertar as contas agora, os negócios estão em baixa, não posso pagar.
Não mulé! tu me paga depois não tem problema!
Não senhora, não trabalho devendo.
Então mulézinha eu aceito porque sou tua amiga. Estremeci. E nesse sacudimento bati na porta sem querer e a porta abriu e por pouco não me esborrachei no chão.
E a valentona me olhou com um olho tão feio nesse mundo que me deu até febre. E disse!
Oxente! as paredes daqui tem ouvido é? Perdeu alguma coisa aqui dentro?
Ia lhe dar a resposta da conta de quantos paus se faz uma canoa, mas a dona Patolina lendo meu pensamento se adiantou:
Deixe essa conta pra lá, eu já sei quantos são!
E assim passou mais um ano, até que um dia surge um disse me disse danado e a dona Patolina quis saber quem estava por traz das fofocaiadas.
E por causa das fofocas, o marido da Patolina mandou a Zumira embora!

Maria de Lourdes

                             

9 de agosto de 2014

A ESPERTA E A PATA CHOCA

00:32 0 Comments

E nesse lenga lenga de mundo vai se acabar, tomei uma decisão:
Mudar o título da história e pra isso fui estudar

Pra terminar de contar
Em que deu esse enrosco.
Essa medonha tramoia
De quem vê e quem te viu!
Patolina espere um pouco
Que o fim ainda não saiu.

Não aperreie meu juizo
Se não, não conto sua história
Quem mandou você ser besta
E confiar em lorota?

Maria de Lourdes                                                


7 de agosto de 2014

SERÁ QUE É FIM DE MUNDO? 5ª PARTE

18:51 0 Comments
Pois eu não disse?
Que naquela visita tinha ciença?
Eu sabia!
Esse pingo de gente não dá ponto sem nó.
Até cego enxerga, menos a benzida da dona Patolina.
Se eu não conhecesse direito a dona Patolina diria que bebeu chá de cueca!
Ah bicha besta!
O que será que aquela sem futuro está tramando nos ouvidos da dona Patolina?
E na pontinha do pé encostei o ouvido na porta, juro por tudo que é mais sagrado que se ouvido e olho tivessem pé estariam lá embaixo da mesa.
Preciso contratar de novo o gato porque nesses anos todos dona Patolina correu mais do que cobra cega, trabalhou mais que jumento de carga e está reboculosa, movida a pão de ló, carro do ano, cabelo, pele e unha direto nas esteticas. Essa aí vai dobrar o olho em cima da dona Patolina que se era besta agora está pior ainda.
E de ouvido grudado na porta ouvi com esses ouvidos que a terra há de comer:
Tu quer ganhar quanto? disse a dona Patolina
Meu pensamento mais rápido que a luz saiu fora da minha cabeça: 
O quê? vai vir de novo pra cá?
Valei-nos Senhor São Bento! Protetor dos mordidos de cobra!
R$ 3000,00 tá bom?
Amarelei, as pernas ficou parecendo vara verde e pensei:
Quer ver eu desmaiar!
Mas, me segurei com toda força da minha fé e pedi pro Padin Ciso, um sustento, pra não cair ali naquela hora pois aquela pata movida na manteiga precisava de mim.
Mulé! é muito dinheiro, disse a dona Patolina. Aqui ninguem ganha isso.
E do outro lado da porta, até deu pra ouvir o barulho da goela da dona Patolina tentando engolir o cuspe. De que jeito sem ter? A boca secou. Ficou seca, seca coitada!
E por um instante vi a dona Patolina com a trouxa na cabeça, rumo pra morar no olho da rua se pagasse um salário desses!
Então mulé! tu me paga 1000,00 registrado na carteira e 1000,00 por fora tá bom assim?
Não sei dizer o que conversaram mais porque tive que correr pro banheiro com dor de barriga e apois não é que a dona Patolina tambem?
Por fim depois do alivio sai a dona Patolina com a resposta!
Vou fazer isso porque tu é minha amiga, mas não é correto, tu pode vir.
Mas, espie só!
Passei uma semana com os miolo mole! quer dizer: meia doida, falando sozinha!

Maria de Lourdes

Comentário de

08/08/14 11:57 -Stelo Queiroga do site Recanto das Letras

Menina assim é demais.....
Até eu já me revolto.....
Nem bem vou ali e volto....
E a mulé já deu pra trás....
É coisa do satanás.....
Fico até passando mal....
Vai botar ela no pau....
Com essa estória de por fora...
Na hora de ir embora....
Vai direto ao tribunal..... 

6 de agosto de 2014

SERÁ QUE É FIM DE MUNDO? 4ª PARTE

23:04 0 Comments


E num certo dia, a porca torceu o rabo e Zumira amanheceu com o cão no couro. Chegou espalhando brasa e nem sei dizer o que ela tinha. Uma tromba de elefante que quase enrosca a goela da dona Patolina.
Veio pra informar que havia encontrado outro emprego!
Quase pulei de alegria, até que enfim aquele encosto estava pra bater asas e se mandar!
E Dona Patolina toda chorosa queria porque queria saber porque a metida a besta estava se mandando.
Só respondeu e mal respondido: recebi outra proposta, pegou suas coisas e foi embora!

E o tempo passou, e passou o tempo!
Ah se minha avó fosse viva! pra eu contar pra ela tim tim por tim tim como a falsidade nesse mundo é grande!
Como pensamos que conhecemos as pessoas e delas não sabemos nada!
E passaram-se cinco anos!
E um certo dia, quem aparece?
A Zumira Uai! quem poderia ser pra causar tanto espanto? quase caí de costas! e pensei:
De novo?
Sumiu, desapareceu e de repente aparece assim do nada?
A metida a besta estava do mesmo jeito! nem cresceu e nem diminuiu! E dona Patolina parecendo uma pata choca lá se foi paparicar a  bendita com xícara de café e bolo!
E pensei com meus botões!
Tem ciença nessa visita!
Tem ciença nesse aparecimento assim de supetão!
Aí tem coisa!

5 de agosto de 2014

SERÁ QUE É FIM DE MUNDO? 3ª PARTE

20:24 0 Comments

Danou-se tudo!
A Zumira fumava mais que uma caipora. Nesse tempo não era proibido fumar em ambientes fechado. E a Zumira com o seu cigarro na boca e suas baforadas, empesteava tudo de fumaça fedorenta.
E foi num desses dias que quase toca fogo no prédio.
Apagou o cigarro mal apagado, e jogou o cigarro na lixeira próximo da mesa.
E mal a Dona Patolina chega em casa o telefone toca!
-Corra Dona Patolina, a sra está colocando fogo no prédio!
Como?
Respondeu a pagadora de pato. Se eu estou na minha casa como posso está pondo fogo! E eu sou lá mulher de colocar fogo em coisa nenhuma?
Me respeite sujeito!
Dona Patolina não entendeu o recado, e só depois de cair a ficha foi que percebeu o que estava acontecendo.
Correu pro escritório feito uma doida varrida e lá chegando quase desmaia.
Juro por tudo que é mais sagrado que o mundaréu de gente era grande. Tinha policia, bombeiro, bloquearam o transito e ainda por cima os moradores do prédio quase degolam a Dona Patolina.
E tudo aconteceu bem assim: da calçada do outro lado da rua, alguem viu uma fumaça saindo pela janela do prédio e em dois minutos arrombaram a porta da Dona Patolina que ao chegar encontrou toda a sala coberta de pó branco. Poderia ter sido um grande incêndio não fosse alguem ter percebido a fumaça.
O cigarro mal apagado da Zumira queimou o cesto e um pedaço do carpete.
E depois a Zumira declara:
Pode deixar! eu pago o prejuízo. O erro é meu e devo pagar! Se quiser eu assino uma declaração
Olha só! Pagar com o que?
Conclusão da história: a Dona Patolina falou:
Não mulher! tu não teve culpa! tu não fez isso de propósito, foi um acidente e pode deixar que eu reformo tudo!
Não mulher! eu pago, dizia o tamborete mal intencionado.
Mulherzinha besta essa Dona Patolina viu? quase foi linchada e degolada na portaria do prédio.
Pois fiquei tiririca! de longe!
Pense aí numa mulher besta! Pensou? Pois era ela mesma. A Dona Patolina. Acho que a Zumira fez foi enfeitiçar a Dona Patolina com aquele benzimento ou então colocou o nome dela dentro de um litro de mel! E estava lá a coitada afogada na besteira!

4 de agosto de 2014

SERÁ QUE É FIM DE MUNDO? 2ª PARTE

14:18 0 Comments

E na volta, pra dar continuidade a história, encontro com meu marido que diz bem assim: 
Você não acha que essa história está comprida demais não? 
Sujeitinho dos miolos de pote, desmancha prazeres esse aí viu! 
Por pouco me tira do prumo e fico sem rumo pra contar a história. Ah se minha avó estivesse aqui! 
E nesse vai e vem danado com pratinho de bolo pra aqui e pratinho de pudim pra la, a Zumira tinha a mania de ligar pra Dona Patolina pra pedir dinheiro emprestado e Dona Patolina parecendo uma pata choca dizia:
Tu precisa de quanto? E bem o telefone não voltava pro gancho o dinheiro já estava na conta da Zumira. 
E nem sei informar se pagava ou não. Como vou saber?
E foi num belo dia que a Zumira veio com a história da Dona Patolina dá emprego pra ela!
É bem verdade que a Zumira pra Dona Patolina tinha um cartaz danado! Era Deus no céu e Zumira na terra!
Pense numa pessoa eficiente! Pensou? Era ela. Zumira.
É a profissional mais competente que já conheci dizia. 
E as pessoas ficavam de boca aberta de ver tantas qualidades numa pessoa só! Isso é que era um chaleramento com essa tal de Zumira, nunca ouvi falar!
De cara a Dona Patolina respondeu: Deus me livre! Está doida? Não posso pagar teu salário. 
Não senhora isso não. É que a Zumira parecia que tinha tudo quanto é curso superior e Dona Patolina se achava pequena demais para tanto saber. Não tinha emprego pra ela não.
E continuou insistindo:
Não mulher! tu me paga o quanto tu puder. Deixa de ser besta é só pra mim não ficar sem emprego. E nesse chove não molha terminou a Dona Patolina dando o emprego pra Zumira.
E o contra-regra disse:
Conte essa história a prestação! História comprida demais cansa as vistas.
E Dona Patolina, mesmo parecendo uma barata tonta, começou a perceber que a Zumira tinha o olho maior que a cara. A danada não cresceu, mas em compensação o olho se fosse possível medir deveria ter pra lá de 3 metros. Pois não é que já estava querendo comandar a Dona Patolina? que reclamava pras paredes. Esse pingo d'água está começando a esquentar minha moringa!
E volto logo com o resto!

Maria de Lourdes

SERÁ QUE É FIM DE MUNDO?

00:23 0 Comments

Se eu contasse essa história pra minha avó ela com certeza diria!
Minha filha! É o fim do mundo! É que minha avó, que Deus a tenha, teve a grande sorte de não ouvir nem falar nos absurdos que vemos hoje.
É tanta coisa, tanta coisa, tanta coisa que a coitadinha que não era acostumada a tanta trambicagem, se soubesse daria um passamento e morreria na hora, antes do tempo.
E um dia quando tivermos netos, o que será que eles terão para nos contar se nós já vivemos encardidos de ver tanta coisa que não dá em absolutamente nada.
Antigamente criava-se gato e gato caçava rato. Hoje em dia, rato ficou mais esperto que gato e pra mostrar pro dono que gato é gato precisa passar por uma humilhação dessas. Caçar rato com uma espingarda. Pode?
Mas a história que eu teria pra contar pra minha avó não seria essa não. Seria a história da pata pagando o pato.  
A Zumira, mulherzinha metida a besta, toda cheia dos não me toques que nem tamanho tinha, não passava de um metro e meio e olhe lá!
Tirando os saltos altos de quase um palmo deveria medir 1.45 de altura ou menos. Bom, mas isso não tem importância, porque eu também não passo de um metro e meio e sempre digo que tamanho não é documento.
De vez em quando alguem me chama de baixinha e faço de conta que não vejo. Até dizem que nós temos o pavio curto, que não crescemos de ruim. Ruim no bom sentido porque a Zumira era maquiavélica. Briguenta e metida a valente era ela mesma.
Tinha uma lábia que Deus me livre! Convenceu a pata a pagar o pato, ora veja! Conversava muito bem com seu português sem faltar uma virgula e quem a visse com seu tra la la jurava de pé junto que a Zumira era o próprio retrato da honestidade em pessoa.
Estava me esquecendo de lembrar, que nessa história tem também a Dona Patolina. Nome mais feio e sem graça esse! É que Patolina vem de Pata e quem paga pato não é a pata é o pato esqueceu? Então é Patolina!
Zumira e Patolina tinham uma amizade daquelas de uma almoçar na casa da outra, de tititi daqui, tititi dacolá, carne e unha.
E Patolina besta que só uma vaca velha, achava a Zumira a criatura mais honesta, mais integra, que existe na face da terra.
Pense numa mulher honesta! Pensou? Era ela. A Zumira.
Pois a Zumira soube espalhar tão bem a sua candura e honestidade, que eu já cheguei até a ver com esses olhos que um dia a terra há de comer, Dona Patolina tomando passe com a Zumira.
Pois não é que a Zumira foi aprender a benzer só pra benzer Dona Patolina, que nesse dia teve uma dor de cabeça e uma dor de barriga tão grande, daquelas de revirar as tripas que foi parar no hospital só o pó da rabiola.
E Dona Patolina mais besta que um jumento cagando numa noite de chuva, contava a sua vida todinha todinha, tim tim por tim tim pra Zumira, que sabia até a hora exata que a Dona Patolina ia pro banheiro. E a história é pra mais de metro, e eu vou contar! Sossegue! Enquanto vou ali, deixo o gato pastorando o rato!

26 de julho de 2014

A GALINHA CHICOTA

15:23 0 Comments
Imagem: realquintacaipira.blogspot.com
De tanto azucrinar o ouvido da Chica ganhei um apelido de Chiquinha.
Achei horrível!
Odiei!
Mas quem gostava mesmo de me chamar de Chiquinha eram as freguesas da Chica, porque não gostavam muito da minha presença cujo oficio era dar palpites e xeretar os cochichos.
Ninguém se atrevia a falar mal da vida alheia na minha presença, para não correr o risco do segredo ser descoberto.
Sem dúvida nenhuma eu era o anjo da guarda da Chica e vice-versa. Se alguém olhasse sequer com o olho atravessado pra mim, já sabe, a Chica demorava em fazer o vestido. Que coisa hem?
Pois foi neste chaleramento todo que um certo dia ganhei uma bela de uma galinha da comadre da Chica.
Adorei porque eu achava galinha a coisa mais linda do mundo, sem falar que ainda acho.
E se possível fosse criaria uma bem aqui no meu apartamento.
Mas, voltemos a galinha que ganhei de presente e cujo nome coloquei de chicota.
A chicota era amarelinha com pintinhas de toda cor e uma crista rosadinha que eu chamava de cabelo. Era um hem hem hem com essa galinha que só mesmo vendo para crer.
A chicota me adotou ou como mãe dela ou como irmã porque não saia do meu colo.
E os retalhos que eu ganhava da Chica eram pra fazer toquinha, saia, casaco e até meias para a galinha eu fazia com furos para sair os dedos.
As unha eram pintadas e no cabelo, digo na crista, eu passava óleo de bebê que peguei um pouco emprestado da minha mãe que estava lá de bebê em casa.
E era um xodó com essa galinha, que Deus me livre. A chicota quando me via parecia mesmo um cachorro quando vê o dono, não saia do meu pé. E eu morta de feliz falava:
- Venha pro colo da titia, ela vinha e ficava sentadinha, quietinha que dava gosto se ver eu com aquela galinha no colo.
As vezes pensava em levar pra casa, mas como a minha mãe era chegada a uma galinha ao molho pardo, Deus me livre de uma coisa dessas acontecer com a minha chicota. Acho que eu poderia até adoecer de tanto desgosto!
E assim os meses foram passando quando um certo dia cheguei à casa da Chica e a chicota estava num alvoroço tão grande, correndo pra lá e pra cá e gritando quá quá quá quá e tome mais quá quá quá quá correndo pelo meio do terreiro da casa da Chica que mais parecia uma galinha doida e não a minha chicota!
Mas a Chica me explicou, ela estava cantando de alegria porque botou um ovo!
A chicota estava meio que esquisita, estava muito orgulhosa e metida a besta só porque estava botando ovos.
Em um quarto nos fundos do quintal, a Chica preparou um ninho com palha de milho para a chicota botar os seus ovos e todos os dias religiosamente era aquele qua qua qua e podia conferir que lá estaria mais um ovo.
Passaram-se mais uns dias quando chego à casa da Chica e cadê a chicota?
A Chica me falou: esta de molho.
Quase enfartei. Será que a Chica teria tido a coragem de matar a coitadinha da minha galinha?
E vendo o meu desespero explicou que a chicota estava chocando os ovos e que não queria ver ninguém! E que não adiantava eu chegar nem perto porque ela estava muito ocupada cuidando da sua maternidade.
E era verdade, a chicota estava uma arara, e não deu a mínima pra mim, ficou zangada quando tentei chegar perto.
Vi pelo seu olho amarelo e arregalado que não estava mesmo querendo saber da titia.
Saí para não assusta-la, mas cá aqui com meu botões já estava preparando os nome para os filhotes da chicota que agora passaria a ser dona chicota.
Dito e feito, mais alguns dias e lá está a dona chicota com 10 pintinhos.
Era ela na frente toda orgulhosa e a filharada atrás. Onde será que eu conseguiria tantos nomes pra tantos filhos?
Sentei num banquinho e fiquei a admirar a minha galinha, tão linda com seus pintinhos e bem perto dali também existia um galo, de certo deveria ser o pai e o mais engraçado é que quando o chicão, digo o galo, olhava pra mim com olhar meio que suspeito não se atrevia a beliscar os pintinhos porque se por um acaso fizesse eu lhe arrancaria as penas uma por uma e olho no olho o tal do chicão pressentia o perigo, que no caso aqui era eu.
E com um caderno na mão procurava os nome dos filhotes de chicota que com aquele piu piu piu não desgrudava da mãe.
Ninguém neste mundo era mais feliz que eu.
Minha galinha chicota era mãe de família era cada vez mais linda e paparicada por todos que ali andavam, a Chica adorava a chicota e por este motivo sabia que jamais a minha chicota viraria ensopado e nem assado. Viveu até o dia que Deus permitiu.

6 de julho de 2014

CADE. ONDE ESTÁ. E ONDE FOI

17:06 0 Comments

Ando tão sumida, que nem mesmo eu estou me achando. E nesse procura daqui e procura acolá fui lá ver se eu estava embaixo da cama!
Primeiro foi uma gripe que me deixou só o pó. 
E por falar em gripe só vejo todo mundo tossindo.
Acho que deve ser o ar que está seco.
Depois, foi que me mandaram escrever um livro e isso já tem uns dez anos e só agora é que decidi e resolvi porque nos meus planos de vida nunca me passou pela cabeça escrever livro. E o tempo? 
E se não trabalhar a vaca vai pro brejo.
Mas, o livro vai sair em breve e é
Contos de uma Chica Chata!
Isso não quer dizer que vou esquecer o blog, desprezar o blog, deletar o blog ou excluir o blog! Ou que vou deixar de visitar os blogs dos meus amigos.
Estou me organizando para voltar a postar, visitar e comentar.

29 de junho de 2014

DEPOIS DO ESPIRRO. O PÓ DA RABIOLA

00:35 0 Comments

Tão certo como dois e dois são quatro, foi bem assim que aconteceu.
Nem bem acordei e a primeira coisa que ouvi foi um espirro! E pensei comigo mesma!
Gripe ou alergia?
Deixe pelo menos acordar. Pensamento é coisa difícil de controlar e espirro também! E nunca queira economizar o espirro porque ele é uma ordem do cérebro vigilante que avisa que algum mal intencionado entrou de nariz a dentro e está expulsando pra fora com um ATCHIM!
Muitas vezes também pode acontecer do cérebro se enganar achando que um foco de luz nos olhos é um invasor e mais do que depressa acelera os seus comando e tome ATCHIM a 150 km por hora ou mais. É mesmo bem interessante. O cérebro também ordena aos olhos se fecharem porque lá vem bomba!
Pois bem! foi um espirro, outro e mais outro! E se não me engano, a garganta já estava dando sinais de que alguma coisa que detesto estava a caminho: Gripe.
Por essas e outras! cuidado com a sua gripe! A minha está dando sinais que está indo embora depois de deixar uma bela de uma tosse!

30 de maio de 2014

PEDRA DO URUBU

21:35 0 Comments
Pedra do Urubu

Se existia algo nessa vida que eu tinha muita raiva e nojo era de urubus. Acredito que todo mundo conhece ou já ouviu falar em urubu. E não era com bons olhos que o urubu olhava pra minha pessoa. Ficava desconfiado quando me via porque talvez seu instinto lhe avisava
Lá vem pedra! 
E voava, deixando aquele seu cheiro horroroso. É claro que os urubus também não andavam passeando pela cidade, porque na cidade não existia o que eles queriam claro, mas de vez em quando eu os via na cumeeira da casa e isso me deixava irritada. E nos dias que chovia, aqui e ali via-se uma fileira de urubus por cima das casas com as asas abertas.
Nos céus eles faziam o seu círculo, com suas asas enormes e eu me perguntava porque Deus criou um sujeito tão feio.
Ouvia muito falar que nos arredores da cidade havia uma pedra chamada de Pedra do Urubu e não entendia porque com tantos nomes para se colocar em uma pedra colocaram justamente o nome de Pedra do Urubu.
Até que um dia, na escola, um certo dia havia um trabalho sobre a Pedra do Urubu e tínhamos que sair em excursão para visitar a Pedra e conhecer a sua história.
Deus me livre e guarde que lá eu não vou! Mas fui assim mesmo! Desde o dia que vi uma guerra de urubus por um pedaço de carne que comecei a sentir verdadeiro pavor quando via um. E na minha mente cheia de fantasias aparecia um urubu rei voando pelos ares carregando pessoas. Coisas da minha imaginação que era a mil por hora. Dentro de um segundo eu criava uma história detalhada com começo, meio e fim.
E fomos pra Pedra do Urubu e lá aprendi que tinha esse nome, porque era a morada de todos os urubus da cidade
E que o Urubu, mesmo sendo tão feio era um dos maiores aliados da Natureza e cumpria o seu papel com maestria sendo o faxineiro do meio ambiente. Entendi que o Urubu era mais importante do que eu imaginava.
Agora eu olhava para o Urubu com respeito e até lhe disse um dia: “quem diria hem? É mais mais importante que as galinhas? E só não te abraço por dois motivos:
Primeiro porque foges, segundo porque teu cheiro só Deus para ter misericórdia.
Bom mas voltemos pra Pedra do Urubu, naquele lugar existiam muitas e muitas pedras, era lindo de se ver. As crianças da cidade gostavam muito de brincar nessas pedras, imitando os personagens do cinema como o Zorro, com suas espadas de madeira, e os índios munidos de arco e flecha. O que eles viam na tela do cinema, representavam lá em cima dessas pedras.

19 de maio de 2014

CHICA E A CHATA

16:04 0 Comments

História da Chica e da Chata.

Como descrevi no inicio do blog, Chica era a costureira da minha mãe, verdadeira artista na arte da costura e Chata era eu que não saia do seu pé.
Na verdade peguei a Chica e a casa da Chica pra cristo, como diz o dito popular. Não tinha muito o que fazer alem de estudar e encher os patuás da minha heroína que era a Chica.
Se existia uma dúvida povoando a minha cabeça de minhoca, a Chica era o meu dicionário sentada em uma cadeira dia e noite costurando naquela máquina movida a pedal.
Aquilo pra mim era lindo demais, Chica quase da altura de uma porta e aquele pé comandando aquela máquina de onde saia os vestidos mais lindos do mundo. Aprendi a usar a fita métrica com a Chica e xereta do jeito que era tinha a mania de medir os ombros dos vestidos para ver se estavam iguais, e estavam mesmo certinhos. Era xereta até demais, mas no bom sentido, não era xeretamento de especular a vida dos outros, coisa que sempre detestei até hoje.
Mas no sentido de buscar respostas, estudando, pesquisando e perguntando.
Bom essa era a Chica, a dona da paciência e eu era a Chata pelo menos é o que diziam, que eu era uma pedra no sapato, ou purgante.
Defensora da Chica, e aí de quem não pagasse pra Chica e ai de quem enchesse muito o seu saco por causa de roupas pois eu que não tinha nem um metro valia por Chica que tinha dois.

Tempos bons aqueles, por mais que tenha vivido e experimentado o lado bom da vida jamais vou esquecer daqueles tempos da Chica.

Uma felicidade verdadeira. Acredito que na nossa memoria ficam armazenados para sempre as situações que vivemos quando criança. Não conheci o que era tristeza a não ser no dia que tive sarampo e catapora. Fora isso era só alegria o meu viver. Tinha um pai maravilhoso, uma mãe que era uma santa, uma Chica para encher o saco, e sete irmãos para eu mandar em todos eles se tivesse oportunidade.
Tinha uma porção de brinquedos, uma boneca de nome calunga e uns 10 bonequinhos que eram seus filhos.
Tinha a casa com os moveis azuis que eu brincava de vez em quando, não era muito chegada a brincar de casinha não, meu negocio era especular por que, onde foi e quando, e se me vissem concentrada brincando de bonecas era porque havia aprontado alguma e esperava somente o desfecho com a cara mais lambida do mundo.
Tinha a mania de escutar história e quando chegava uma visita eu já sabia de cor e salteado a velha e costumeira ordem: Já pra sala estudar, tá querendo escutar o quê? E na casa da Chica, tribuna daquelas alvoroçadas discutindo moda era meu palco predileto, lá eu sabia de tudo, isso quando não diziam olhando pra mim:
Cuidado! olha quem tá aí!

Maria de Lourdes

11 de maio de 2014

BIFE À MODA SOLA DE SAPATO

22:28 0 Comments

Bife sola de sapato, alguém conhece?

Sem quê e nem por quê, entrei nos guardados da minha mente e encontrei um título da hora para a minha postagem.
Bife à moda sola de sapato. A história do bife que não é lá essas coisas e vou avisando, pra ninguém criar expectativa achando que se trata de um best-seller e coisa e tal.

Pois bem, coloquei uma postagem no blog da empregada doméstica, como identificar a carne certa para o prato certo!
Foi um show a minha pesquisa, porque eu mesma tenho o costume de perguntar ao açougueiro que carne devo usar para determinado prato. 
Agora não pergunto mais. Basta ir na minha pesquisa e problema resolvido e acredito que muita gente, como eu não sabe a carne ideal para o prato ficar nos trinques.
Mas escreve daqui e escreve dacolá vão saindo cada uma da mente da gente que é pra matar um de vergonha. 
E isto aconteceu na primeira refeição que eu preparei no primeiro dia de dona de casa.

Parecendo uma fada madrinha, morta de feliz, vou pra cozinha, inaugurar meu fogão com arroz, feijão e bife.

Até hoje não sei explicar porque aquele bife ficou daquele jeito. Quis imitar os bifes que a minha mãe preparava e caí do cavalo.
Acontece que o bife, quando começou a esquentar na frigideira, parecia que estava com medo do óleo, encolheu e ficou como que na pontinha dos pés para não se queimar.

Passei um sufoco com aquele bife e a espátula na mão, empurrando-o no óleo quente pra ver se acertava e não tinha jeito.

Por fim resolvi virar o bife teimoso, pois ele teria que ser frito de qualquer jeito. Se não era de um lado era do outro. Que situação! Ficou pior. Parecia gato escaldado com medo de água fria, todo encolhido.

E para me safar daquela situação no primeiro dia de dona de casa, peguei o bife cortei em tirinhas e enchi o prato com tomates, cebolas e ovo cozido para enfeitar o bife traidor que ao contato com os legumes frios se encolheu mais ainda.

E se alguém conhece torresmo pururuca, é então a cara cagada e cuspida do meu bife. Ainda por cima frito demais e duro.

Comemos, sem dar uma palavra. O arroz, o feijão, os ovos cozidos, os tomates e as cebolas porque os bifes, mesmo que em tirinhas era de quebrar os dentes.

Foi quando meu marido falou: a carne desse açougue parece sola de sapato, não tem quem consiga comer. Essa aqui, cozinhando três dias, ainda fica dura. Mas, sabemos que o açougue nada tinha a ver com o caso. O negócio era a cozinheira pé de chinelo, que no caso era eu mesma.

Maria de Lourdes

20 de abril de 2014

O TRA-LA-LA DO POTE

23:12 0 Comments

Vejamos que aqui não estamos falando de um produto raro. Ou de um objeto de outro planeta ou de um utensilio que não conhecemos.
Estamos nos referindo, simplesmente a um pote.
Mas pra dar início ao tra-la-la do pote, vejamos que o pote pode ser de louça, de vidro, de barro, de cerâmica, de plástico, de porcelana e se brincar existem potes até de ouro. Pelo menos nas histórias da carochinha eles são de puro ouro e prata.

E se prestarmos atenção o pote tem uma magia, um encantamento um não sei o quê de atração que é coisa que não se explica. E mesmo se soubesse não diria porque é coisa de foro íntimo essa história de pote. E não creia que estou escrevendo bobagens não, porque alguém e também não sei quem foi, descobriu que pote atrai muita coisa, principalmente gente besta como eu que não pode ver um pote.

Coisas de Marketing? Não sei.

Alguém resolveu colocar um certo produto dentro de um pote, todo colorido, com tampas de toda a cor, cheio de florzinha. Resultado: Vendeu tudo, não ficou um. Só eu mesma comprei uns seis, um de cada cor. Agora o que tem dentro vou levar meses pra consumir, porque nem gosto muito, meu negócio mesmo é o pote.

Passados no caixa com todo o zelo do mundo para não riscar e não quebrar a tampa. Meu xodó esses potes, fora os que já tenho em casa.

Entrar no mercado e ver promoções de “ganhe um lindo pote” é comigo mesma. E para ter a plena certeza de que não estou despirocada, dou uma voltas no mercado e retorno ao ponto dos potes que por pouco não sobrou um único pra mim.

E o que existe de novidades em torno do pote, envolvendo o pote daria não somente um livro, mas uma biblioteca. É pote com tampa de crochê, é pote com tampa de biscuit, é pote com tampa de madeira, pintados à mão, foscos, vestidos de saia, de Papai Noel, de coelhinho da pascoa enfim não sei o que está faltando inventar com o pote. E quer ver uma promoção dar certo é só criar um belo pote e colocar o produto dentro.

Quer montar um negócio e não sabe o que? Use a imaginação e monte uma loja de potes. Eles são iguais aos sapatos. Possuem um público especial “as mulheres” entre elas eu que já não sei onde colocar tanto sapato e tanto pote.

20 de março de 2014

SIMBORA CUMPADE

21:22 0 Comments

Não sei quem é o autor dessa história, eu a ouvi no circo quando criança, e lembro até hoje e estou postando ao meu modo, mas o desenrolar do acontecido foi esse.

Dois amigos nascidos e criados lá pras bandas dos cafundós, tiveram a santa missão de serem alimentados unicamente com feijão.
Não conheciam as saborosas iguarias que adornam os pratos nas mesas desse mundão afora.
Então os dois, num cochichado danado de pé de orelha resolveram sair sem destino a procura de outras comidas que não fosse o feijão.
Pois sim. Chegando em uma bela cidade procuraram imediatamente o mais belo restaurante que existia e logo se acomodaram para serem servidos.
E logo chegou o garçom, impecavelmente vestido, com o cardápio na mão para que aqueles ávidos conhecedores da culinária mundial enchessem o bucho.
Mas, existia um problema. Nossos amigos não sabiam lê. E agora?
Restava apelar para o palpite da sorte. E assim decidiram:
-Cumpade, qual o seu número da sorte? O outro respondeu: o meu é 5
Então se o seu é 5 e o meu é 9
Vamos contar nos dedos. Cinco dedos de uma mão mais os dedos dos pés, tirando um dedo mindim fica 14
Vamos então contar nessa lista toda qual é a comida que vamos comer.
E minuciosamente contaram até chegar no prato que seria a desforra de nunca mais na vida comer feijão.
Eu não sei dizer a razão e nem o porquê. Sei somente que em instantes lá vem o garçom com uma bela de uma bandeja adornada de feijoada, quente e fervendo que de longe se via a fumaça.
Calados e de olhos arregalados e a barriga roncando de fome comeram tudo, afinal aquela feijoada era pra ninguém colocar defeito.
Bem ao lado da mesa haviam outros clientes, cada um saboreando as mais gostosas comidas. Podiam até não ser muito saborosas, mas que enchiam os olhos, isso eu garanto que sim.
Nossos amigos decidiram não sair dali sem provar daquela raridade e dessa vez não apelariam pra sorte não, porque foi tudo muito fácil. Os comensais chamaram o garçom e simplesmente pronunciaram o nome daquele banquete.
BIS!
E em alguns minutos estava posta a mesa com aquela paisagem, de dar agua na boca e molhar os beiço!
E foi assim que sucedeu:
Numa euforia de causar inveja a qualquer criança quando quer um sorvete chamaram o garçom e pediram BIS.
E dentro de alguns minutos, adivinhem quem estava pegando fogo nas lindas cumbucas, fumegando na bandeja de prata? A NOSSA CONHECIDA FEIJOADA.
Aí foi demais! Uma feijoada até que dava pra encarar, porem duas no mesmo dia a solução era sair e buscar outras paragens, no tô fora!
E resolvidos que estavam em comer outras iguarias diferentes, e que o feijão não se atrevesse em dar as caras embutidos em cumbucas não, porque se fosse pra comer feijão, eles sabiam onde:
EM CASA.
E saíram de estrada a fora quando viram uma festa. Eram comes e bebes de não acabar mais. A fartura ali corria solta, sem falar no cheiro das comidas que entravam de nariz a dentro deixando o estomago enfezado, com ares de querer sair pela boca ou pelo umbigo.
Ô compadre! Dessa vez nois come! Disseram:
E foram entrando de festa a dentro meio que encabulados, não vamos esquecer que nossos amigos eram tímidos.
Se achegaram, assim como quem quer e não quer nada e esperaram a vez de pegar também um belo prato de comida.
De repente, todo mundo para. Era hora de ver os noivos dançarem a música do casamento por se tratar ali de uma festa de enlace matrimonial.
Dançaram e dançaram.
E até que enfim terminaram a dança disse o compadre ao outro.
Mas alguém, que não sabemos quem até hoje, teve a infeliz ideia de gritar no meio do povo:
EU QUERO BIS
E nisso, os dois compadres, olharam um pro outro, colocaram o chapéu na cabeça, arregaçaram as calças e gritaram!

SIMBORA CUMPADE! SEBO NAS CANELAS QUE LÁ VEM FEIJÃO!

16 de fevereiro de 2014

A TELHA. 2ª PARTE

21:08 8 Comments

Pois é, se não estivesse tão tiririca da vida, até que teria dado boas risadas pelo fato de querer comprar telha para repor com uma foto. 
Isso se chama não entender mesmo de telhas e o que é pior, alem de não entender o marido também não entendia de bulhufas nenhuma! 
Me deu uma raiva!
Que eu saiba, marido é quem entende de telha. Pelo menos na casa do meu pai ele entendia de tudo. 
Mas voltemos aos fatos, porque estava com muita pressa com medo da chuva.
E foi bem assim que aconteceu. 
Um calor terrível com sensação térmica de 50°, transito intenso, o povo todo meio doido de tanto calor e eu correndo atrás de uma telha chamada de telha paulista, volto em casa e alguém tem que subir no telhado pra pegar a tal de telha. O pedreiro está viajando com destino a minha casa, logo logo ele chega e eu preciso está com as telhas. 
Estou parecendo uma doida e meia, não tiro o olho do céu pra ver se vai chover ou não, que agonia!
E voltando ao deposito e para minha surpresa, lá não tem a bendita telha. Até que tinha uma bem parecida que custava R$ 1,29. 
Exclamei aos quatro cantos da loja. Meu Deus que telha barata, pois é dessa mesma que vou comprar e não quero nem saber! Mas fui informada que não daria certo. 
Não desmaiei porque precisava ficar de pé. Mas o vendedor me indicou o deposito onde eu encontraria essa raridade e lá vamos nós com aquela preciosidade fedorenta a pó embrulhada a sete chaves primeiro em um jornal, depois em um pano, depois em um saco, depois na sacola.
E lá vamos nós, rumo ao endereço informado. Nunca vi tanta telha, só não existia mesmo as irmãs da raridade. Mas o vendedor foi bem otimista: “calma que nem tudo está perdido” e nos deu outro endereço onde encontraríamos aquela que estava me dando tanta dor de cabeça e lá chegando também não tinha. 
Até que tinha, disse ele, mas acabou e assim mesmo eram poucas. E lá vamos nós de novo rumo ao novo endereço que nos foi fornecido e nada.
Entrei em desespero, teria que trocar toda a telha da casa. Que absurdo, a chuva vai chegar e eu não resolvo esse problema.
Depois de rodar SP inteiro apareceu uma alma bendita que nos informou que seria fácil encontrar no museu das telhas. 
Essa é para aprender que lidar com telha e telhado exige conhecimento. Vá mandar um faz-tudo subir em cima da sua casa e verá o tamanho do problema que vai arrumar pra sua cabeça, porque a primeira coisa que ele vai fazer é pisar onde não deve e quebrar as benditas que protegem você e sua família do aguaceiro. Chegando ao museu que não é pequeno encontramos a raridade, mas tinha também mais um detalhe, precisava trazer a outra parte da telha senão não daria certo. Levamos somente a capa e faltava a tal da bica. 
Meu marido sofreu nesse dia, era pra tirar a telha completa e andamos por uns trinta depósitos só com a capa da telha achando que era a telha.
Meu Deus, essa foi demais! Teríamos que voltar para pegar a bica da telha ou a telha de nome bica.
Que situação hem? Rodei quase a cidade de SP inteira por causa de uma telha para aprender uma grande lição.
Por fim, resolvemos o problema. Agora sei que existe o museu das telhas onde se encontram verdadeiras relíquias. 
Descobri também telhas de mais de 200 anos e fabricadas pelos escravos. Muito me chamou atenção esse fato porque naquela época não existiam fôrmas para se fazer a telha. Elas eram fabricadas uma a uma e moldadas na coxa. Valeu todo o meu sacrifício, a minha mente embaralhada pelos acontecimentos dos últimos dias simplesmente viajou no tempo. Imaginei quantas cenas aquelas telhas presenciaram e na sua composição quanto suor daqueles que as confeccionaram.

Bom o meu drama de nome rio d'água proveniente de uma goteira mal cuidada graças a Deus chegou ao fim, o pedreiro consertou tudo, fez a reposição das telhas como manda o figurino e eu parei de olhar para o céu procurando nuvens carregadas de chuvas. Agora chove e eu estou feliz da vida. 


15 de fevereiro de 2014

A TELHA

16:17 3 Comments
Imagem: cybeleolga.wordpress.com 
Para quem entende de telha, esse pode ser um assunto meio sem graça, mas para mim que não entendo de telhas foi a descoberta do ano e acredito que existe muita gente que pensa que telha é telha e pronto.
Claro que telhado é constituído de telha, mas telha virou um bicho de sete cabeças pra mim, motivo de curiosidade e etc. e tal e dentro de uma semana estava eu apaixonada por uma telha de 200 anos atrás.
Tudo começou quando na minha casa apareceu uma goteira. Goteira você já sabe o que é. É aquele pinga pinga quando chove e você fica pra lá de doida arrastando os moveis pra lá e pra cá para não molhar, e ao mesmo tempo fica numa situação desesperadora lutando com unhas e dentes para não arranhar o chão.
Daí, você chama um pedreiro para consertar o que está errado lá em cima. É uma pena porque se não fosse tão alto juro que eu mesma subiria e resolvia meu problema. O pedreiro vem, sobe, mexe pra cá, mexe pra lá, cobra um absurdo, mas tudo bem, afinal subir em telhado é coisa perigosa, tem que esperar os dias de sol. E vale a pena pagar seja lá quanto for porque ninguém queira ficar com uma goteira dentro de casa, porque além de fazer um belo de um estrago dizem ainda que dá azar.
Veio a primeira chuva e vamos testar a goteira. Ou seja o trabalho do pedreiro na goteira. Não sei o que aquele imitação de pedreiro fez lá em cima. Sei apenas que a goteira deu cria e virou uma biqueira. E lá se vai eu de novo com um monte de baldes e bacias e meu belo forro tão lindo e branco está parecendo o fundo das calças daquele pedreiro de meia tigela, que com o seu peso deve ter quebrando todas as telhas do meu telhado.
E nesse lenga lenga, foram mais de dez nesse sobe e desce. Que goteira mais problemática essa. Nunca ouvi falar que um telhado desse tanto trabalho e tanta despesa e enquanto o calor estava tinindo, estava eu fazendo até promessa para não chover para que o mar não se mudasse para dentro da minha casa .
É mesmo muito engraçado os orçamentos que alguns fazem. Uns sequer sobem na escada, do chão mesmo já condenam o meu pobre telhado que tinha só uma goteirinha e virou uma inundação ao ponto de isolar inteiramente o espaço.
E o medo da casa inteira desabar na minha cabeça?
Bom, mas continuando com a minha descoberta, e lá vamos nós para resolver urgentemente a situação antes que as chuvas de verão cheguem. Tive que trazer um pedreiro encomendado de outra cidade em um outro estado para tampar essa cachoeira que se alastrou pela metade da casa.
E, é aí onde entra a telha. Tirei a foto da bendita e fui ao deposito, comprar 200 telhas. Eu já sabia que eu era meio destrambelhada, mas não tanto! Comprar telha para repor com foto? Nunca ouvi falar! Pelo menos até aquele dia. 
E chegando ao depósito foi bem assim que me disseram. Tem que trazer a telha senão não dá certo!

E me aguarde para saber do resto!

Autor: Maria de Lourdes

11 de fevereiro de 2014

QUERO MEU DINHEIRO DE VOLTA

19:28 1 Comments

Essa não foi dos tempos de criança não, foi exatamente no dia de hoje. E não é brincadeira passar por uma situação dessas. Batalhar pelos nossos objetivos é tarefa edificante e que só nos faz bem. Porem passar por certos absurdos, que nos tiram do sério e nos fazem um mal terrivel não é coisa do outro mundo não é desse mesmo.
E para não estender muito o assunto vamos direto ao ponto.
Fui até o Banco 24 Horas para fazer um saque. E para surpresa minha recebi a seguinte mensagem: "Operação Realizada Com Sucesso" e meu dinheiro que é bom, não saiu um centavo. Voltei pra casa num estado de nervos tão grande que pela misericórdia de Deus não fui atropelada.
Chegando em casa vou conferir o meu extrato e pra minha surpresa está lá um extrato constando um valor que não retirei. Liguei pro Banco Itau, que é onde tenho conta. O Banco me orienta para ligar para o Banco 24 Horas e fazer a ocorrência. Liguei e ficou naquele empurra empurra como se eu fosse algum boneco. O Banco me diz que é com o 24 Horas, e o 24 Horas me diz que é com meu Banco. Quero meu dinheiro de volta na minha conta, afinal trabalho de domingo a domingo e nada mais justo que coloquem meu dinheiro no lugar onde ele estava já que não veio para as minhas mãos. Não tenho tempo para sair das minhas obrigações para correr atras de Banco para reclamar daquilo que é meu. Portanto tratem de recolocar meu dinheiro onde estava, e aproveitem para dar um jeito nessas benditas máquinas de Banco 24 Horas, para que ninguem passe pelo que eu passei hoje. Porque nunca mais na minha vida pretendo usar essas máquinas para não passar o que eu passei na data de hoje ou seja, 11 de fevereiro de 2014.

Onde Está o Dinheiro "Gal Costa"


6 de janeiro de 2014

BICHO EMBAIXO DA CAMA

19:37 3 Comments

Imaginem se as crianças de hoje se preocupam com essas palhaçadas. Pelo menos as que eu conheço não largam do computador ou do celular, com muita insistência é que vão dormir, porque se pudessem ficariam jogando a noite inteira.
Bom, mas isso é hoje e quando eu era criança nem sabia o que era um notebook e vamos ao que interessa, isto é, fazer meu irmão parar de me chamar de santinha do pau oco ou de Maria adivinhona.
Pois bem o grande dia chegou. 
Esperei todo mundo dormir inclusive meu irmão que deitado em sua cama roncava que assobiava. 
Pelas minhas contas deveria está no terceiro sono. Peguei uma lata de óleo vazia e me enfiei debaixo da cama do meu irmão.
E o meu teatro era bem assim:
Buuuuuuuuuuuuuuuuuuuu! Jogue na vaca! Buuuuuuuuuuuuuuuuuu! Eu sou a alma da santinha do pau oco e vim agradecer pela vela! Buuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!
Nisso o meu irmão acordou desesperado, cobriu-se de cabeça e tudo e abriu a goela a chorar e gritar por mamãe.
Mamãeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee, acenda a luz pelo amor de Deus, tem um bicho debaixo da minha cama, socorroooooooooooooooooooooo! Alguém me acuda! 
E depressa saí me arrastando devagar para a minha cama e coberta dos pés à cabeça fingia que dormia enquanto meu pai com um pedaço de pau na mão e minha mãe acudiam meu irmão que estava aos berros dizendo que uma alma estava debaixo da sua cama e enquanto meu pai acudia meu irmão com um copo de açúcar a minha mãe foi ver no meu quarto se eu estava dormindo e claro eu dormia e roncava me segurando para não dar boas gargalhadas.
E meu irmão gritava feito um louco, não sei como tive coragem pra fazer uma armação dessa natureza sabendo que ele tinha verdadeiro pavor de alma penada.
Levantei, esfregando os olhos, querendo saber o que estava acontecendo, aliás todo mundo da casa acordou pra ver meu irmão todo michado na cama, pedindo um copo de garapa com açúcar e eu bem que avisei e completei a cena dizendo que a alma também passou pela minha cama puxou meu lençol, jogou no chão e saiu voando de telhado acima.
Mas meu irmão teimava em dizer que a alma não voava que ela se arrastava pelo chão, só sei que todo mundo se abaixou pra ver que embaixo da cama não existia nada e minha mãe tentava acalmar o pirralho dizendo que foi um pesadelo.

Essa história durou mais de uma semana lá em casa só sei que nunca mais ninguém me chamou de adivinhona, nem de santinha do pau oco e quando cresci contei a história todinha.

Maria de Lourdes