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12 de dezembro de 2018

Meu Blog e Eu

12:53 0 Comments

Eu e meu blog. Carne e unha. Quer dizer, eu em pessoa. Sem tirar e nem por. Mas que por diversas razões deixei de escrever. De contar os causos.
Vontade até que tenho, tive e terei. Mas só vontade não resolve e inspiração está alem da própria vontade.
Pra quem não conhece o blog da chica chata eu explico:
Chica era a costureira da minha mãe. E eu, uma menina metida a besta que gostava de meter o bedelho em tudo. Creio eu que já nasci assim.
Com cinco anos de idade eu sabia fazer de tudo acreditam? Pelo menos acreditava piamente que sim.
Até lembro do dia que fui consertar a máquina de costura da minha mãe e ao finalizar sobraram mais da metade das peças.
Levei um mês com a minha mãe no meu pé. Mas, consegui.
Sou daquelas pessoas que diz assim: "quando eu cair vou cair em pé" rs!
E se naquele tempo era assim, pra minha surpresa depois que cresci e amadureci fiquei pior.
Não consegui acalmar os ânimos. Estou sempre inventando alguma coisa. A imaginação quando quer, é a mil por hora e quando não estou no meu vai e vem de deixar as pernas e a cabeça só o pó da rabiola me ataca uma depressão de cair os queixos.
Remédios? nem pensar pois não resolve. Me deixa mesmo é parecendo alma penada dormindo em pé. 
Digo sempre que as minhas mãos, "PRESENTE de DEUS" é medicamento pra todos os meus males, sejam eles físicos ou mentais.
Pra quem acredita que não pode: digo uma coisa.
Eu criei uma empresa sem um centavo no bolso. Só com a cara e a coragem.
Deus e Eu. E mais ninguém. E isso foi a 23 anos. E continuo na batalha até hoje.
E sem sombra de dúvida o que mexeu com os meus miolos foi essa crise que está aí até hoje. 
É duro trabalhar de domingo a domingo, dia e noite sem descanso, e ver o seu trabalho chegar ao ponto que chegou.
Não é do meu feitio contar misérias. Como eu disse vou cair em pé. E nas outras postagens quem sabe voltarei ao assunto.
Mas o assunto aqui é falar sobre o blog:
O blog é isso, histórias da minha infância feliz, lá na minha cidadezinha do interior.
O meu oficio naquelas épocas?
Encher o saco da minha mãe e da sua costureira e de quem mais achava interessante.
Sejam portanto bem vindos ao meu blog!

19 de dezembro de 2017

A História de Sabugo

23:54 1 Comments

Acredito que nesse mundo não existia uma pessoa pra ter mais histórias do que eu. 
Era sair de casa e voltar com uma história diferente. 
O caminho da escola que não era muito distante, um quarteirão. E pra se ter uma ideia quarteirão em cidadezinha pequena já sabe como é. É bem ali.
E nessa minha viagem de todos os dias era cada uma que só Deus pra ter misericórdia.
Embaixo de uma arvore existia ali um senhor que adotou a arvore como sua moradia.
Era ele, suas coisas pessoais e um cachorro. Quase sempre ao sair de casa eu pegava um pedaço de pão ou uma bolacha para dar ao cachorro que sempre, sempre ao me ver abanava o rabo.


25 de janeiro de 2017

Tem coisas na vida que até Deus duvida!

00:48 0 Comments

"Tem coisas na vida que até Deus duvida"
E foi lá pelos caminhos da minha infância quando tudo ficava gravado na minha mente elétrica que ouvi esta frase e na casa da Chica.
Se falaram na casa da minha mãe me passou despercebida porque meu foco mesmo era a casa da Chica por onde passava as mulheres mais fofoqueiras e faladeiras da vida alheia que eu já conheci.
Nem sei como é que a Chica conseguia costurar com aquele blá blá blá no pé do ouvido.
O falatório era demais e parecia não ter fim pois começava com um assunto e saia por outro.
Bom, mas não estou aqui hoje para falar daquelas fuxiqueiras.
Meu negocio aqui hoje é o pé de manga que existe na casa da minha irmã. E se o espirito não me engana, parece que ainda tenho a mesma mania de vê nó em pingo d'água
O pé de manga ao qual me refiro é esse que está por traz do poste. 
A primeira vista é normal, normal, normal.
Igualzinho aos outros, que estão quase que grudados um no outro. Só que com tantos pé de manga espalhados por tudo quanto é lado esse pé de manga tem um quê, que até Deus duvida.
Tem ciência nesse pé de manga, e não me perguntem o quê, porque até eu mesma gostaria de saber.
O fato é que o pé de manga recebe visitas de manhã de tarde e de noite. 
Quem quiser procurar alguém já sabe ou está no pé de manga ou andou por lá. 
E pode-se até dizer ou pensar que é por causa das mangas.
Não é. Porque os outros também tem manga (no tempo certo é claro) e por lá não passa uma alma viva a não ser o vento, o sol, a chuva.
E esse alguém a quem me refiro são: camaleão, lagarto, preá, sapos, lagartixas, gafanhotos, calango, muriçoca, tatu, peba, louva-a-deus, cobras de tudo quanto é jeito. E pra encantar ainda mais o cenário quando vai caindo a tarde é só aguardar que a passarada da região inteira vem se hospedar no pé de manga. É uma briga danada em busca de espaço e enquanto isso nos vizinhos o silencio é de paz e tranquilidade.
Vou entender uma coisa dessas? Só digo que tem coisas na vida que até Deus duvida e esse pé de manga é uma delas.
E olhe só quem estava lá: todos os dias ele vem. Toma banho na piscina, depois toma banho de sol e não vai embora sem passar pelo famoso pé de manga.



Esse outro aqui veio fazer as necessidade na porta de um banheiro, acabou de sair do pé de manga.


4 de dezembro de 2016

Chá Disso, Chá Daquilo, Chá Daquilo Outro

07:41 0 Comments


Com certeza você já deve ter ouvido essa expressão!
Chá disso, chá daquilo, chá daquilo outro, aqui no meu artigo, trata-se do enorme conhecimento que a minha mãe tinha a respeito de chás.
E que maravilha que era! Com certeza já nasci tomando chá disso e chá daquilo ou seja chá de erva doce ou chá de camomila.
Lembro que a minha mãe tinha um espaço reservado para guardar os seus ingredientes para os santos chás que resolvia, era tiro e queda. Tomou sarou. E da minha mãe herdei esses costumes maravilhoso pois me tornei uma fã incondicional de chá disso, chá daquilo e chá daquilo outro.
O chá é sem dúvida um presente da natureza e a minha mãe, com certeza, assim como eu,  herdou esse hábito da sua mãe também. Por isso dizemos: de geração a geração os chás porque é a mais pura realidade.
E já que estamos falando de chá disso e chá daquilo e etc.. não posso deixar de falar no chá de Ipepaconha. Conhecido do Nordeste como papaconha. Outro chá que a minha mãe amava demais era chá de carqueja e chá de macela.
Chá das cascas de árvores como aroeira, ipê roxo, balsamo, umburana de cheiro e muitos e muitos outros. E o que era mais importante, conhecíamos a procedência das arvores. Lembro bem que fui curada de uma dor na perna com aroeira. A minha mãe fervia as cascas, depois colocava sal grosso e lavava a minha perna todas as noites antes de deitar. Conhecíamos também um santo remédio para feridas no útero que era malva do reino, conhecida também como malva da folha grossa. A minha mãe pegava as folhas batia no liquidificador com um pouco de água, colocava na geladeira e tomava meio copo por dia.
Chá para nervosismo era o chá de erva cidreira ou capim santo plantados lá no quintal de casa.
Problemas nos rins? bastava usar as folhas do pé de abacate.
Pra diarreia eram as folhas de goiaba. Chá das folhas do pé de laranja com mel realmente me faz lembrar dos cuidados da minha mãe.
E o mastruz? e minha mãe com a sua sabedoria dizia, não pode usar muito mastruz.
Hoje tenho todos esses chás na minha casa e continuo com os mesmos costumes que com certeza vão passando de pais pra filhos.
Existe também no Nordeste um medicamento muito conhecido e que já salvou muitas vidas. Não é chá mas a minha mãe tinha na sua farmácia maravilhosa: Chama-se "Aguardente Alemã" e todas as vezes que vou ao Nordeste compro e nunca deixo faltar na minha farmácia caseira.
Creio que o amor pelas plantas e o respeito, cuidados e agradecimento à natureza faz parte do processo de cura quando recorremos a ela para cuidar dos nossos males.



25 de outubro de 2016

Nos Tempos da Chica e das Eleições

04:35 2 Comments


De toda aquela confusão eu mesma não entendia patavinas nenhuma e também não queria entender porque nunca gostei de muito hem hem hem.
Sei apenas que em épocas de eleição o bicho pegava fogo lá na minha cidadezinha do interior que não devia um centavo pra ninguém. Eu acho. Eram dois partidos, cada um mais afoito que o outro.
Na casa da Chica as encomendas diminuíam porque a Chica era de um partido e as clientes que eram do outro queriam ver o diabo e não a Chica.
Eu mesma que sempre fui meia do contra com meus 10 anos era dos dois. Porque era uma situação de pedir misericórdia a Deus. Na casa do meu pai e da minha mãe todos eram de um partido só, os funcionários do meu pai também.
Eu é quem tinha que me virar com essa história de partidos A e B porque minha grande amiga era do partido B e meus pais do partido A. Na escola nem se fala, e na saída das aulas todos os dias tinha uma briga. Aqueles pirralhos que mal tinham saído das fraldas já carregavam no sangue a politica ensinada pelos pais.
E naquela época existiam os tais comícios e passeatas. Minha simpatia era pelo partido do meu pai, mas não conto as vezes que na companhia da minha melhor amiga fui para o comício contrário escondido pra ninguém saber.
Não saber? duvido! cidade pequena é o diabo, no dia seguinte era a primeira coisa que meu pai sabia.
- O que era que a senhora estava fazendo no comício de...
E eu com a cara mais lambida do mundo simplesmente dizia: eu mesma não. Chame aí o fuxiqueiro pra provar!
Eleitores do partido A e partido B quando se encontravam não prestava não. A coisa era feia. Quem era amigo, nessas épocas deixava de ser. E pelo que eu pude observar ainda hoje é assim. E eu que imaginava que selvageria só existia naquele lugar, me enganei, quebrei a cara porque hoje estou vendo coisas iguais ou piores. 
Lembro que no dia das eleições vinham policiais do exercito para garantir a ordem. Também era proibido a venda de bebidas alcoólicas. Também as pessoas dos partidos ofereciam almoço para aquelas que vinham dos sítios ou fazendas, para votar.
A minha mãe também fazia uns panelões de arroz, feijão e carne. E depois das eleições e da posse, as freguesas da Chica retornavam com cara de Amelia, alegando que a Chica estava botando boneco! 
Tudo mentira, porque eu via tudo e mais um pouco!
Enfim a pendanga continua a mesma, tanto aqui como lá. E não duvido que um cliente deixe de comprar em determinada loja porque o dono é de outro partido.
Também não duvido se alguém morrer ou bater as botas só compareçam pro enterro pessoas do mesmo partido.
Nesse mundo velho que até hoje não colocaram a porteira, não duvido de mais nada.
Se fosse nos tempos da Chica perguntaria pra ela que gosto tem o poder. E ela com certeza diria de mel. 

3 de outubro de 2016

Recado do Assistente ao Doutor

02:00 2 Comments




Existia numa pequena cidade, um hospital e um doutor.
E um certo dia, chegou todo esbaforido o assistente que era além de assistente, o conselheiro e o jornal ambulante do hospital. E nesse dia chegou ele com a grande noticia.

Disse o doutor:
Seu menino diga logo
Pare de tanto arrodeio
Conte logo essa história
Antes que me aborreça
Desembuxe esse fuxico
Já que veio todo proza
Azucrinar meu juízo

Então o assistente já foi direto ao assunto:

Pois o senhor que se avexe
Pegue um caderno e um lápis
E vá pra escola estudar
Senão a moçada aí
Vão tomar o seu lugar

Lá na instituição
Chegou uma carrada de médicos
De longe eu contei mais de cem
É médico que não acaba mais
E em tudo que é especialidade
Convocando outros médicos
E vão ensinar ao doutor também!

E o doutor  respondeu:

Era só o que me faltava
Depois de velho aprendido
Estudado e diplomado
Voltar de novo a estudar.

Pois é a moda doutor
Que o senhor tem que acompanhar.
O doutor que me adesculpe
Essa minha ousadia
Mas seu saber é do passado
Não acompanha a sabedoria

As doença do passado
Era papeira e sarampo
Catapora dor de lado
Lombriga e bucho virado
O doutor pra ser doutor
Tá meio disatualizado
Me adesculpe a franqueza
Está mais pra benzedor.

Se avexe logo e vá pra escola
Para aprender coisas novas
E assim o povo ajudar
Hoje é tudo diferente
Até as doenças mudaram
É Zica, é chikuncunha
É depressão é stress
E essas são só as pequenas
Que as grande não vou contar

E pra saber lidar com elas
O doutor vai ter que estudar
Os moços lá é gente fina
Todos bonitos e cheiroso
O senhor vai sentir é gosto
Quando naquela sala entrar
Para de novo estudar

E cá aqui, entre nos
Os remédios também estão mudando
Sabe aquela dor de barriga
Que o doutor estava me tratando?
Me passou foi Alkasete
Que nem estão mais fabricando

E diante desse tralálá todinho respondeu o doutor

Chega de tanta conversa
Que já entendi o recado
Depois de velho e barbado
Vou ter que de novo estudar.
E faço com muito gosto
Pra população ajudar.

Digo com sinceridade
Mesmo não sendo especializado
E com tão pouco saber
Já salvou muita gente na cidade.
Com sua dedicação tamanha
E sua arte de cuidar.
Vai aprender muita coisa
Mas, também vai ensinar.

Maria de Lourdes

28 de setembro de 2016

Reunião dos Sabiás

00:50 2 Comments
Imagem: Fotos e fotos

Nos arredores da cidade a comunidade dos sabiás se reuniam.

Em reunião solene, traçavam os seus planos. Ocupariam todas as arvores da cidade, marcariam território e com todas as forças dos seus potentes pulmões convidariam as sabiás para juntos formarem uma bela família.

E comentavam entre si:

Ouviremos muitos palavrões, nos mandarão pra uns lugares que só eles conhecem, baterão portas e janelas, outros nos atirarão pedras nas nossas perninhas de sabiás e não fosse Deus para nos dar asas não sei o que seria.

Eles são assim mesmo, tomaram o nosso lugar e querem nos colocar pra fora.

Algum filho de Deus nos ama, outros se pudessem nos colocariam nas gaiolas. Vamos arrumar as malas que o grande dia está chegando.

E assim é que é. Logo logo o grande concerto dos sabiás começa. E eu amo o canto dos sabiás, que as quatro da manhã cantam em três arvores perto da minha casa.

Maria de Lourdes 

18 de abril de 2016

Ponte do Futuro da Chica Chata!

12:36 0 Comments

Incrível essa ponte!


Lá pras bandas da minha infância, onde a imaginação era a causadora de tantos atropelos na minha vida e tantas dores de cabeça para o meu pai e a minha mãe, lá pra essas bandas aí, quis eu construir uma ponte utilizando um pé de mamona que nasceu e cresceu justamente no pé do muro do quintal da minha casa e pra sua sorte ou azar existia eu naquela perseguição infeliz de imaginar que aquele pé de mamona seria a ponte para que eu pudesse subir no telhado da minha casa com o objetivo de investigar se lá por cima existia um buraco por onde deveria passar a tal de cegonha que de dois em dois anos enchia a casa da minha mãe de meninos pra encher meu saco com aquelas chupetas que não paravam na boca de jeito nenhum.
Era a chupeta cair da boca e o menino chorar e eu já que não tinha serventia nenhuma pelo menos que fosse até ali acudir o chorão devolvendo a chupeta na boca enquanto a minha mãe preparava a mamadeira.
E aquele pé de mamona seria a solução para os meus problemas interiores, subiria de vez em cima daquela casa e encheria aquele buraco de cacarecos e folhas e duvido que cegonha nenhuma viesse mais entrar ali com tanto menino!
E os anos se passaram, e vai daqui e vai dacolá quando um dia eu vi pela primeira vez o viaduto do chá e quase caí de costas, de tanto que olhei, tentando entender como foi que subiram até ali e colocaram aquela ponte.
Depois vieram as pontes sobre as águas. Cheguei mesmo a perder noites de sono imaginando como é possível construir pontes dentro do mar.
Eu, até hoje não acredito numa coisas dessas.
Mesmo vendo não acredito!
Essa história de ponte é realmente um assunto cheio de mistérios. Tem até uma novela que se chama a ponte dos suspiros, imagine só a quantidade de nomes que possuem as pontes pelo mundo afora.
Uma outra conheço bem:

A PONTE DA AMIZADE!

E a conheci um certo tempo atras quando eu toda emperiquitada, de roupa social e salto alto me debandei lá para o lados do Paraguai pra comprar presente barato.
Amarguei o pão que o diabo amassou atravessando aquela ponte lotada e um calor infernal pra nunca mais querer saber de ponte de amizade nenhuma na minha vida.
E para retratar aqui o meu relato bem que procurei nas minhas imagens uma ponte. E foi quando me lembrei das imagens do google.
Vi ponte de tudo quanto é jeito. Algumas até que serviriam, mas Deus me livre e guarde de pegar a ponte dos outros já que sou meia azarada pros lados de ponte.
Lembro que ao me deparar com o viaduto do chá, de tanto olhar pra cima quando baixei a cabeça foi um zum zum zum nos ouvidos, fiquei tontinha e quase não me aprumo pra seguir em linha reta rumo ao meu destino.
Não senhor! macaco velho tem medo de cumbuca e nessa de ponte estou feito gato escaldado com medo de agua fria!
Até que tentei desenhar uma.
Mas, cadê a vocação pra desenhar?
Quem me dera saber! apenas consegui uns rabiscos com quatro estacas.
E eu mesma deduzi!
Não, não, isso não é uma ponte.
Por fim surgiu a ideia de criar a minha própria ponte.
Eis aí então a obra!

23 de setembro de 2015

CONVERSA PRA BOI DORMIR

11:18 0 Comments

É realmente fantástica a soma em dinheiro que recebo por dia proveniente de quem, só Deus sabe! 
Quem será esse doador misterioso que passa o dia inteirinho que Deus dá fazendo depósitos milagrosos na minha conta? 
E diante de uma crise dessas que leva o dinheiro a sumir da mão do povo, fica eu aqui recebendo comprovantes de depósitos que se somados daria pra comprar uma cidade inteira.
Eu que sou acostumada a trabalhar, que sou do toma lá da cá, e cá aqui entre nós, que eu saiba, desde o dia que nasci, nunca fiquei sabendo que ninguém na face da terra me deve um centavo furado, pela lógica, o fato é que se ninguém me deve, como pode uma pessoa sozinha receber tantos depósitos.
E mais um detalhe: Não vendo fiado. Pagar depois não é comigo não.
E se assim é: de onde provem tanto deposito que esse povo faz na minha conta, de manhã, de tarde, de noite e de preferência de madrugada?
Então que me digam uma coisa: É ou não é conversa pra boi dormir?
E olhe a situação do saldo: R$ 1,00
Robozinho fuleiro, safado e sem vergonha esse aí viu? Pensa que a gente é trouxa! Será que vou cair na besteira de abrir esse link ou arquivo zipado para ver de quanto foi esse deposito se ninguém me deve um centavo?
De 100 emails que recebo, 99 são de depósitos.

E como diz o Suricate: "MARMININO"

Eu não digo que tou mole.
"Nois Aqui É Besta, mas nem tanto!
Robozinho lazarento!
Nois aqui não é de acreditar em lero lero, nem em hem, hem hem.
Nois aqui é da lida! 
E nem em premio de loteria nois temos pra receber pois nois não joga!
Guarde aí os seus depósitos, que nois é pobre, mas não quer não visse?

Maria de Lourdes

4 de dezembro de 2014

PRONTINHA PRA GUERRA

01:45 0 Comments

O tremendo reboliço que estava acontecendo na rua fez a dona Carlota acordar no meio da noite.
Afinou os ouvidos para entender o que estava acontecendo e por mais que tentasse não conseguia entender uma só palavra.
Mas, que diabos será isso? 
Vestiu a sua camisola, abriu a porta de fininho porque os tiros e as bombas até estremeciam as panelas penduradas acima da pia que ela fazia questão de exibir de tão limpas e polidas.
Saiu de porta a fora, descabelada e sem dente que mais parecia uma assombração.
E o alvoroço e a bala zinindo no meio da noite, quase que mata dona Carlota do coração.
Na pontinha do pé saiu com um pé na sandália e outro no sapato. Na correria nem viu esse detalhe. Abriu a porta. E foi escorregando de porta a fora até chegar na calçada.
Cadê o povo?  alias a multidão que fez com que ela acordasse e sair feito um zumbi?
Olhou pra um lado, olhou pra o outro, e na rua não existia uma alma viva para lhe contar o que aconteceu ali! Só o silencio, o vento e o clarão da lua cheia e aquela marmota no meio da rua, quer dizer ela.
Depois de levar o maior susto da sua vida que deixou o seu cabelo espetado parecendo palitos, outra bomba e tiros e mais tiros e eu sei lá se eram de balas de borracha, sei apenas que era o barulho da tevê do vizinho da Dona Carlota, ligada no volume máximo vendo um filme de bang bang, daqueles do velho oeste.
Correu pra dentro de casa fumaçando pra pegar uma vassoura e resolver essa questão na base da vassourada. Quando de repente sua filha acorda e encontra a mãe naquela situação pronta pra guerra. Tomou a vassoura e lentamente levou a Dona Carlota pra cama e não deu cinco minutos e estava ela roncando de tão profundo era o seu sono
No dia seguinte não lembrava de patavinas nenhuma, ou se lembrava não comentou. É que a dona Carlota era sonâmbula.
E via coisas que qualquer um duvida. Até eu mesma.
Autor: Maria de Lourdes

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27 de maio de 2014

NASCENÇA

22:35 0 Comments
Foto de Igor Lucena
A Nascença

Foi a partir da descoberta daquelas águas um pequeno açude de nome Nascença que surgiu a cidade onde fui muito bem criada e educada por meus pais. 
Ou onde muitos nasceram e cresceram conhecendo de perto o verdadeiro sentido da fraternidade, da amizade e da solidariedade. 
Um povo alegre e hospitaleiro, cada um com a sua história e raízes. Do mais pobre ao mais rico, todos se conheciam uns aos outros e foi nesse clima que cresci.
Sabe-se através da história que naquela região, habitaram os índios Cariris porque muitas das suas artes foram encontradas em um cemitério, do outro lado da Nascença, conhecido como Cruzeiro.
Era lindo de se ver as lavadeiras lavando roupas com as águas da Nascença, aquelas roupas cheirando a limpeza quarando ao sol depois de lavadas e ensaboadas.
A Nascença, como era chamado o açude, que nascia ao pé do serrote, nasceu pelos desígnios da Natureza para dar a vida pois nos criamos todos alimentados com as aguas daquele lugar bendito.
Nada mais justo que coroar essa santa mãe, como Patrimônio Histórico Natural, que viveu enquanto pode viver até que um dia os desmatamentos a arrancaram da terra.
Existia próximo a Nascença, uma casa grande que chamávamos de Engenho. E quem, não conhecia o Engenho?
E quem não gostava de visitar o Engenho? 
Era o passeio mais convidativo que existia, porque lá se fabricava o mel de engenho que jamais vi em lugar nenhum. 
E quando as turmas do Colégio Padre Viana ali chegavam, a hospitalidade não nos deixava esquecer aquele lugar e voltávamos pro Colégio saboreando alfenim, que era um pedaço de cana mergulhado no mel e se transformava em doce, tipo puxa puxa, amarelo e gostoso que acredito que só naquele lugar sabia fazer.
Dentro do engenho ferviam enormes tachos de mel feitos com cana de açúcar, cada um no seu ponto certo para se transformar em saborosas rapaduras.
Tempos para não se esquecer nunca mais.
A minha homenagem é à Nascença. 
Aguas que se foram, aguas que me alimentaram e mataram a minha sede, com muito orgulho fui criada com as aguas da Nascença.

25 de maio de 2014

Vidinha na Escola

01:30 0 Comments


A importância do Bê a Bá

E voltando ao meu passado repleto do que é o que é, para homenagear em forma de agradecimento ás pessoas que passaram pela minha vida.
E já que acredito na vida após a morte do corpo não vou querer reencontra-las sem sequer haver passado pela vida e sem tocar nos seus nomes.
E uma dessas pessoas é a Dona Mariquinha a minha primeira professora, aquela que me ensinou o ABC e ainda hoje lembro da minha cartilha de ABC e minha tabuada.
A Dona Mariquinha tinha uma escola particular, era amiga da minha mãe e até hoje lembro da sua fisionomia.
Minha segunda professora foi a Dona Geralda. Tinha uma escola pertinho da Igreja, um quarteirão da minha casa.
Tinha também a madrinha Néia, minha madrinha que adorava me presentear com lindas bonecas. Fazia uns bolos que era uma delícia e quase todo dia trazia bolo pra mim.
Tinha também a Dona Inacinha, que cuidava da minha mãe quando ela tinha bebê, fazia um ensopado de galinha que minha mãe odiava porque só tinha gosto de agua e eu adorava aquele panelão cheio d’água até a tampa.
Tinha também a Finha que passava as roupas lá de casa, ainda não vi alguém passar uma roupa daquela maneira com um ferro cheio de carvão com brasas e sua irmã Terezinha que não saia lá de casa, era a melhor amiga da minha mãe.
Enfim não tem como falar de todo mundo, senão não termino nunca!
Quando cheguei na idade de entrar nas escolas, fui para o Grupo Escolar José Matias Sampaio.
E por incrível que possa parecer foi nessa escola acho que já no segundo ano, um dia chega na cidade uma família, e um desses personagens que não são fictícios vai estudar na mesma escola e na mesma classe que eu.
Pois não é que esse dito cujo, depois que cresceu virou o meu marido? 
Essa escola, era uma escola linda, com suas salas grandes e o quadro negro enorme na parede, janelas grandes e largas, pena que não tenho uma foto para mostrar. 
Terminando o quarto ano que na época era o quarto ano primário fui para outra escola.
O Colégio Padre Viana. 
Cujo Proprietário e Diretor era o Sr. José Teles de Carvalho. Era uma pessoa muito querida e todos nós o amávamos e respeitávamos muito.
Nesse Colégio vivi a minha adolescência, tempos que não esquecerei jamais. Lembro do nosso uniforme que era uma coisa muito linda.
A saia vermelha grená, blusa branca, a boina vermelha grená, meias brancas e sapatos pretos.
Tínhamos o uniforme para as aulas e o uniforme também da mesma cor para os dias de festividades quando usávamos a boina. 
Como eu tinha orgulho e zelo por aquele uniforme e quando a Finha passava a saia com pregas dava vontade de nunca sentar só para não amassar.
Nas horas de recreio, em épocas da cana de açúcar, corríamos para um lugar que hoje é patrimônio cultural.
A Nascença.
Visitávamos também o Cruzeiro e a Pedra do Urubu

Aí já é outra postagem!

21 de maio de 2014

FESTA DOS CABOCLINHOS

21:25 0 Comments

Festa dos Caboclinhos

Era um tiquinho de gente, mas de uma vivacidade que acredito ser fora da época. 
Eu mesma cuidava do meu viver feliz. 
E se nas minhas lembranças existe uma pessoa que não posso esquecer é de Maria Alacoque. 
Foi minha professora que me ensinou a rezar o Pai Nosso e a Ave Maria. 
Acredito que todas as crianças daquela pequena cidade foram suas alunas de catecismo.
Lembro bem de uma música que ela nos ensinava. E gravei para sempre na minha memória.

"Mãezinha do céu
Eu não sei rezar
Só quero repetir
Quero de te amar
Azul é teu manto
Branco é teu véu
Eu quero ser tua
Ó mãezinha do céu!

Éramos de 20 a 30 meninas, cantando esse hino em coro que ao lembrar me faz chorar de saudade!
Saudade de coisas boas, de tempos bons, da nossa inocência, quando não conhecíamos o que era a maldade humana que vemos pelas ruas ou pelo mundo afora.
E Maria Alacoque, figura muito conhecida na cidade, era a organizadora das festas de fim de ano. Preparava o presépio que era verdadeira obra de arte. 
Acredito que além de professora era mestre na arte de decoração porque o seu presépio era comentado e visitado por muita gente que admirava aquela beleza.
Nos preparava para uma festa, onde eu não entendia nada, e só depois que cresci a curiosidade me fez retornar à aqueles tempos inesquecíveis e constatar que os costumes ali eram parte de uma cultura de povos e tempos que estão registrados nas memórias daqueles que preservam as lembranças.
As famílias preparavam os presépios em suas residências e a noite o cortejo de Maria Alacoque saia de cidade a fora composto pelos seguintes personagens.
Os índios, os caboclinhos, as ciganas, as pastorinhas, os beija flores, as borboletas, o pastor, os anjos, a estrela, o sol e a lua e os três reis magos com os presentes.
Eram as alunas (os) e ex alunas (os) do catecismo que faziam parte desse espetáculo, que atraia a cidade inteira. Saiamos cantando e dançando pelas ruas a fora e o cortejo de pessoas para visitar o presépio da residência que nos esperava.
Eu era um dos caboclinhos, vestida de short vermelho com elástico nas pernas e uma faixa também vermelha amarrada no busto, o rosto  e braços pintados e uma faixa na testa com penas coloridas que ela preparava. E cantávamos bem assim: acompanhando a Maria Alacoque, em uma só voz o nosso bem ensaiado canto:

Vão chegando os caboclinhos,
Na cidade de Belém,
Tão lindos e pequeninos,
Quanta beleza que tem!

Quem são vocês?
Caboclinho da aldeia
Para onde vão?
Vamos a Belém
Vão ver a quem?
Jesus nosso bem
Vão ver a quem?
Jesus nosso bem!

E ao chegarmos na residência onde estava o presépio a festa começava. Com o canto e a dança dos caboclinhos!
A dança das ciganas, com seus chocalhos nas mãos
A dança das pastoras,
A cantiga da estrela, que dizia "que era uma estrela brilhante que Jesus veio anunciar" 
A cantiga do sol e da lua que iluminavam a terra.
Um verdadeiro teatro ao ar livre que atraiam pessoas de todos os lugares.
E era lindo demais!
Como não sentir saudade de tudo isso?
E no dia 06 de janeiro dia de reis, fazíamos uma grande roda na calçada da Igreja em volta da fogueira feita com as palhas de coqueiro que ornamentavam os presépios.
Cantávamos assim:

Essas palhinhas 
Que estão se queimando
É da nossa lapinha
Que está se acabando

Adeus meu menino
Adeus meu amor
Até o próximo ano
Se vivo ainda for.

E a minha homenagem nessa postagem é a Maria Alacoque, que tanto nos ensinou e alegrou.
E onde estiver, deve está espalhando a sua alegria sadia. Essa que faz a gente lembrar e não esquecer nunca mais.
Maria Alacoque faz parte da história de uma comunidade, que trouxe a cultura de povos espalhados pelos cantos da terra, e somente através dela é que conheci esse espetáculo e muito me orgulho por tê-la conhecido.

Maria de Lourdes


20 de maio de 2014

Semente do Bem

17:01 0 Comments

A Semente do Bem

E lembrando daqui e dali voltei ao meu passado, não sei se todas as pessoas são ligadas às suas raízes, eu pelo menos sou muito ligada às minhas. Acho lindo tudo aquilo que passou, vivi e vi. Engraçado que parece que todas as pessoas que faziam parte da minha infância também carregam consigo um poço de saudades.


E quem vê esse casarão em ruínas, por onde muitas vezes, quando criança passei pelas calçadas, não sabe que dentro dessas paredes existiu uma bela e grande história.
Era o Casarão da  família Balbina Viana Arrais. Construído em 1907.
Segundo narra a escritora Marineusa Santana, que foi uma das minhas professoras, e narra no lançamento do seu livro o texto a seguir:



Boa noite aos componentes da mesa, aos amigos da Cultura, e a todos que nos prestigiam, com suas presenças. 
Quem em Brejo Santo pode dizer que não gozou ou não goza dos efeitos ou benefícios das obras realizadas por Balbina Lídia Viana Arrais - A MESTRA?
As suas iniciativas, as suas realizações, seus feitos estão presentes na nossa cultura até hoje, pela tradição oral ou escrita ou pela própria história da cidade.
Ela veio à Vila de Brejo dos Santos, a mando do governo, ensinar as primeiras letras, por um determinado espaço de tempo, pensaram alguns, principalmente por saberem ser ela esposa do Boticário Lydio Dias Pedrozo. Engano ! 
Deus é providente e não falha aos que nele confiam.
Aqui ela ensinou as primeiras letras às crianças, aos  adolescentes , às donas de casa, à luz do candeeiro à noitinha; ensinou a amizade, a solidariedade, o respeito, a partilha , o amor, ensinou a dignidade a muita gente, ensinou enfim o valor da vida , ensinou a viver, com o seu testemunho de vida.
Acolhida por Basílio Gomes da Silva iniciou na Taboqueira a missão desempenhada eficazmente até sua morte e soube tão bem transmitir à Filha, às netas, às  afilhadas,  as agregadas, às amigas a todos que tiveram a graça de com ela conviver.
Entre os alunos garimpava os diamantes brutos e encaminhava-os aos seminários ou em busca de uma profissionalização.
Seu temor a Deus era tamanho a ponto de não fechar as portas de sua casa para quem quer que fosse, nem para socorrer a  um cangaceiro agonizante.
O Casarão serviu de escola, Igreja, Casa paroquial, esteve sempre disponível a tudo e a todos.
Porém não houve nenhuma autoridade que se sensibilizasse e buscasse junto aos órgãos federais  uma ajuda a fim de que ele fosse tombado como Patrimônio histórico. Os universitários e os professores que tentaram fazer algo,não mereceram a atenção das nossas autoridades. Quantas vezes vi Madrinha Auristela sair à  procura de negociar a fim de poupar a demolição do casarão. Tudo em vão. O pior de tudo é que demoliram sem necessidade. Nada foi construído. Está lá apenas o muro das lamentações.
Não podemos esmorecer. Precisamos buscar parcerias com instituições, reedificar o casarão para um espaço cultural.
É louvável registrar os dados para a nossa história não se perder. Nossas novas gerações precisam saber da sua história; Mas ainda é tempo de lutar a favor da reconstrução do CASARÃO DO SABER, da Nascença e de outros projetos .
Obrigada aos familiares de D.Balbina que se fizeram presentes, a todos que contribuíram para a impressão do Livro, aos que compareceram ao evento e aos que se juntarão a nós na luta pela cultura..
Meus sinceros agradecimentos e Boa Noite.

Marineusa Santana

29/12/2007


A minha homenagem nessa postagem é para a Dona Balbina Viana Arrais, muito ouvi falar no seu nome, na grandeza da sua alma. A ela devo o fato de saber ler e escrever porque foi ela que plantou o alfabetismo naqueles tempos tão difíceis, ensinando à luz de candeeiro.
A minha homenagem também é para a Marineusa Santana, escritora e professora, pessoa extraordinária, culta, simples, amiga, solidária e que muito fez pela nossa cidade. Foi uma das minhas professoras. De longe sempre acompanhei o seu trabalho, lendo os seus textos e cronicas. Que Jesus abençoe esses anjos que fizeram parte de alguma forma do meu passado e lá no espaço infinito continuam plantando a Luz do Saber e do Entendimento.

19 de maio de 2014

CHICA E A CHATA

16:04 0 Comments

História da Chica e da Chata.

Como descrevi no inicio do blog, Chica era a costureira da minha mãe, verdadeira artista na arte da costura e Chata era eu que não saia do seu pé.
Na verdade peguei a Chica e a casa da Chica pra cristo, como diz o dito popular. Não tinha muito o que fazer alem de estudar e encher os patuás da minha heroína que era a Chica.
Se existia uma dúvida povoando a minha cabeça de minhoca, a Chica era o meu dicionário sentada em uma cadeira dia e noite costurando naquela máquina movida a pedal.
Aquilo pra mim era lindo demais, Chica quase da altura de uma porta e aquele pé comandando aquela máquina de onde saia os vestidos mais lindos do mundo. Aprendi a usar a fita métrica com a Chica e xereta do jeito que era tinha a mania de medir os ombros dos vestidos para ver se estavam iguais, e estavam mesmo certinhos. Era xereta até demais, mas no bom sentido, não era xeretamento de especular a vida dos outros, coisa que sempre detestei até hoje.
Mas no sentido de buscar respostas, estudando, pesquisando e perguntando.
Bom essa era a Chica, a dona da paciência e eu era a Chata pelo menos é o que diziam, que eu era uma pedra no sapato, ou purgante.
Defensora da Chica, e aí de quem não pagasse pra Chica e ai de quem enchesse muito o seu saco por causa de roupas pois eu que não tinha nem um metro valia por Chica que tinha dois.

Tempos bons aqueles, por mais que tenha vivido e experimentado o lado bom da vida jamais vou esquecer daqueles tempos da Chica.

Uma felicidade verdadeira. Acredito que na nossa memoria ficam armazenados para sempre as situações que vivemos quando criança. Não conheci o que era tristeza a não ser no dia que tive sarampo e catapora. Fora isso era só alegria o meu viver. Tinha um pai maravilhoso, uma mãe que era uma santa, uma Chica para encher o saco, e sete irmãos para eu mandar em todos eles se tivesse oportunidade.
Tinha uma porção de brinquedos, uma boneca de nome calunga e uns 10 bonequinhos que eram seus filhos.
Tinha a casa com os moveis azuis que eu brincava de vez em quando, não era muito chegada a brincar de casinha não, meu negocio era especular por que, onde foi e quando, e se me vissem concentrada brincando de bonecas era porque havia aprontado alguma e esperava somente o desfecho com a cara mais lambida do mundo.
Tinha a mania de escutar história e quando chegava uma visita eu já sabia de cor e salteado a velha e costumeira ordem: Já pra sala estudar, tá querendo escutar o quê? E na casa da Chica, tribuna daquelas alvoroçadas discutindo moda era meu palco predileto, lá eu sabia de tudo, isso quando não diziam olhando pra mim:
Cuidado! olha quem tá aí!

Maria de Lourdes

11 de maio de 2014

BIFE À MODA SOLA DE SAPATO

22:28 0 Comments

Bife sola de sapato, alguém conhece?

Sem quê e nem por quê, entrei nos guardados da minha mente e encontrei um título da hora para a minha postagem.
Bife à moda sola de sapato. A história do bife que não é lá essas coisas e vou avisando, pra ninguém criar expectativa achando que se trata de um best-seller e coisa e tal.

Pois bem, coloquei uma postagem no blog da empregada doméstica, como identificar a carne certa para o prato certo!
Foi um show a minha pesquisa, porque eu mesma tenho o costume de perguntar ao açougueiro que carne devo usar para determinado prato. 
Agora não pergunto mais. Basta ir na minha pesquisa e problema resolvido e acredito que muita gente, como eu não sabe a carne ideal para o prato ficar nos trinques.
Mas escreve daqui e escreve dacolá vão saindo cada uma da mente da gente que é pra matar um de vergonha. 
E isto aconteceu na primeira refeição que eu preparei no primeiro dia de dona de casa.

Parecendo uma fada madrinha, morta de feliz, vou pra cozinha, inaugurar meu fogão com arroz, feijão e bife.

Até hoje não sei explicar porque aquele bife ficou daquele jeito. Quis imitar os bifes que a minha mãe preparava e caí do cavalo.
Acontece que o bife, quando começou a esquentar na frigideira, parecia que estava com medo do óleo, encolheu e ficou como que na pontinha dos pés para não se queimar.

Passei um sufoco com aquele bife e a espátula na mão, empurrando-o no óleo quente pra ver se acertava e não tinha jeito.

Por fim resolvi virar o bife teimoso, pois ele teria que ser frito de qualquer jeito. Se não era de um lado era do outro. Que situação! Ficou pior. Parecia gato escaldado com medo de água fria, todo encolhido.

E para me safar daquela situação no primeiro dia de dona de casa, peguei o bife cortei em tirinhas e enchi o prato com tomates, cebolas e ovo cozido para enfeitar o bife traidor que ao contato com os legumes frios se encolheu mais ainda.

E se alguém conhece torresmo pururuca, é então a cara cagada e cuspida do meu bife. Ainda por cima frito demais e duro.

Comemos, sem dar uma palavra. O arroz, o feijão, os ovos cozidos, os tomates e as cebolas porque os bifes, mesmo que em tirinhas era de quebrar os dentes.

Foi quando meu marido falou: a carne desse açougue parece sola de sapato, não tem quem consiga comer. Essa aqui, cozinhando três dias, ainda fica dura. Mas, sabemos que o açougue nada tinha a ver com o caso. O negócio era a cozinheira pé de chinelo, que no caso era eu mesma.

Maria de Lourdes

20 de abril de 2014

O TRA-LA-LA DO POTE

23:12 0 Comments

Vejamos que aqui não estamos falando de um produto raro. Ou de um objeto de outro planeta ou de um utensilio que não conhecemos.
Estamos nos referindo, simplesmente a um pote.
Mas pra dar início ao tra-la-la do pote, vejamos que o pote pode ser de louça, de vidro, de barro, de cerâmica, de plástico, de porcelana e se brincar existem potes até de ouro. Pelo menos nas histórias da carochinha eles são de puro ouro e prata.

E se prestarmos atenção o pote tem uma magia, um encantamento um não sei o quê de atração que é coisa que não se explica. E mesmo se soubesse não diria porque é coisa de foro íntimo essa história de pote. E não creia que estou escrevendo bobagens não, porque alguém e também não sei quem foi, descobriu que pote atrai muita coisa, principalmente gente besta como eu que não pode ver um pote.

Coisas de Marketing? Não sei.

Alguém resolveu colocar um certo produto dentro de um pote, todo colorido, com tampas de toda a cor, cheio de florzinha. Resultado: Vendeu tudo, não ficou um. Só eu mesma comprei uns seis, um de cada cor. Agora o que tem dentro vou levar meses pra consumir, porque nem gosto muito, meu negócio mesmo é o pote.

Passados no caixa com todo o zelo do mundo para não riscar e não quebrar a tampa. Meu xodó esses potes, fora os que já tenho em casa.

Entrar no mercado e ver promoções de “ganhe um lindo pote” é comigo mesma. E para ter a plena certeza de que não estou despirocada, dou uma voltas no mercado e retorno ao ponto dos potes que por pouco não sobrou um único pra mim.

E o que existe de novidades em torno do pote, envolvendo o pote daria não somente um livro, mas uma biblioteca. É pote com tampa de crochê, é pote com tampa de biscuit, é pote com tampa de madeira, pintados à mão, foscos, vestidos de saia, de Papai Noel, de coelhinho da pascoa enfim não sei o que está faltando inventar com o pote. E quer ver uma promoção dar certo é só criar um belo pote e colocar o produto dentro.

Quer montar um negócio e não sabe o que? Use a imaginação e monte uma loja de potes. Eles são iguais aos sapatos. Possuem um público especial “as mulheres” entre elas eu que já não sei onde colocar tanto sapato e tanto pote.

20 de março de 2014

SIMBORA CUMPADE

21:22 0 Comments

Não sei quem é o autor dessa história, eu a ouvi no circo quando criança, e lembro até hoje e estou postando ao meu modo, mas o desenrolar do acontecido foi esse.

Dois amigos nascidos e criados lá pras bandas dos cafundós, tiveram a santa missão de serem alimentados unicamente com feijão.
Não conheciam as saborosas iguarias que adornam os pratos nas mesas desse mundão afora.
Então os dois, num cochichado danado de pé de orelha resolveram sair sem destino a procura de outras comidas que não fosse o feijão.
Pois sim. Chegando em uma bela cidade procuraram imediatamente o mais belo restaurante que existia e logo se acomodaram para serem servidos.
E logo chegou o garçom, impecavelmente vestido, com o cardápio na mão para que aqueles ávidos conhecedores da culinária mundial enchessem o bucho.
Mas, existia um problema. Nossos amigos não sabiam lê. E agora?
Restava apelar para o palpite da sorte. E assim decidiram:
-Cumpade, qual o seu número da sorte? O outro respondeu: o meu é 5
Então se o seu é 5 e o meu é 9
Vamos contar nos dedos. Cinco dedos de uma mão mais os dedos dos pés, tirando um dedo mindim fica 14
Vamos então contar nessa lista toda qual é a comida que vamos comer.
E minuciosamente contaram até chegar no prato que seria a desforra de nunca mais na vida comer feijão.
Eu não sei dizer a razão e nem o porquê. Sei somente que em instantes lá vem o garçom com uma bela de uma bandeja adornada de feijoada, quente e fervendo que de longe se via a fumaça.
Calados e de olhos arregalados e a barriga roncando de fome comeram tudo, afinal aquela feijoada era pra ninguém colocar defeito.
Bem ao lado da mesa haviam outros clientes, cada um saboreando as mais gostosas comidas. Podiam até não ser muito saborosas, mas que enchiam os olhos, isso eu garanto que sim.
Nossos amigos decidiram não sair dali sem provar daquela raridade e dessa vez não apelariam pra sorte não, porque foi tudo muito fácil. Os comensais chamaram o garçom e simplesmente pronunciaram o nome daquele banquete.
BIS!
E em alguns minutos estava posta a mesa com aquela paisagem, de dar agua na boca e molhar os beiço!
E foi assim que sucedeu:
Numa euforia de causar inveja a qualquer criança quando quer um sorvete chamaram o garçom e pediram BIS.
E dentro de alguns minutos, adivinhem quem estava pegando fogo nas lindas cumbucas, fumegando na bandeja de prata? A NOSSA CONHECIDA FEIJOADA.
Aí foi demais! Uma feijoada até que dava pra encarar, porem duas no mesmo dia a solução era sair e buscar outras paragens, no tô fora!
E resolvidos que estavam em comer outras iguarias diferentes, e que o feijão não se atrevesse em dar as caras embutidos em cumbucas não, porque se fosse pra comer feijão, eles sabiam onde:
EM CASA.
E saíram de estrada a fora quando viram uma festa. Eram comes e bebes de não acabar mais. A fartura ali corria solta, sem falar no cheiro das comidas que entravam de nariz a dentro deixando o estomago enfezado, com ares de querer sair pela boca ou pelo umbigo.
Ô compadre! Dessa vez nois come! Disseram:
E foram entrando de festa a dentro meio que encabulados, não vamos esquecer que nossos amigos eram tímidos.
Se achegaram, assim como quem quer e não quer nada e esperaram a vez de pegar também um belo prato de comida.
De repente, todo mundo para. Era hora de ver os noivos dançarem a música do casamento por se tratar ali de uma festa de enlace matrimonial.
Dançaram e dançaram.
E até que enfim terminaram a dança disse o compadre ao outro.
Mas alguém, que não sabemos quem até hoje, teve a infeliz ideia de gritar no meio do povo:
EU QUERO BIS
E nisso, os dois compadres, olharam um pro outro, colocaram o chapéu na cabeça, arregaçaram as calças e gritaram!

SIMBORA CUMPADE! SEBO NAS CANELAS QUE LÁ VEM FEIJÃO!

16 de fevereiro de 2014

A TELHA. 2ª PARTE

21:08 8 Comments

Pois é, se não estivesse tão tiririca da vida, até que teria dado boas risadas pelo fato de querer comprar telha para repor com uma foto. 
Isso se chama não entender mesmo de telhas e o que é pior, alem de não entender o marido também não entendia de bulhufas nenhuma! 
Me deu uma raiva!
Que eu saiba, marido é quem entende de telha. Pelo menos na casa do meu pai ele entendia de tudo. 
Mas voltemos aos fatos, porque estava com muita pressa com medo da chuva.
E foi bem assim que aconteceu. 
Um calor terrível com sensação térmica de 50°, transito intenso, o povo todo meio doido de tanto calor e eu correndo atrás de uma telha chamada de telha paulista, volto em casa e alguém tem que subir no telhado pra pegar a tal de telha. O pedreiro está viajando com destino a minha casa, logo logo ele chega e eu preciso está com as telhas. 
Estou parecendo uma doida e meia, não tiro o olho do céu pra ver se vai chover ou não, que agonia!
E voltando ao deposito e para minha surpresa, lá não tem a bendita telha. Até que tinha uma bem parecida que custava R$ 1,29. 
Exclamei aos quatro cantos da loja. Meu Deus que telha barata, pois é dessa mesma que vou comprar e não quero nem saber! Mas fui informada que não daria certo. 
Não desmaiei porque precisava ficar de pé. Mas o vendedor me indicou o deposito onde eu encontraria essa raridade e lá vamos nós com aquela preciosidade fedorenta a pó embrulhada a sete chaves primeiro em um jornal, depois em um pano, depois em um saco, depois na sacola.
E lá vamos nós, rumo ao endereço informado. Nunca vi tanta telha, só não existia mesmo as irmãs da raridade. Mas o vendedor foi bem otimista: “calma que nem tudo está perdido” e nos deu outro endereço onde encontraríamos aquela que estava me dando tanta dor de cabeça e lá chegando também não tinha. 
Até que tinha, disse ele, mas acabou e assim mesmo eram poucas. E lá vamos nós de novo rumo ao novo endereço que nos foi fornecido e nada.
Entrei em desespero, teria que trocar toda a telha da casa. Que absurdo, a chuva vai chegar e eu não resolvo esse problema.
Depois de rodar SP inteiro apareceu uma alma bendita que nos informou que seria fácil encontrar no museu das telhas. 
Essa é para aprender que lidar com telha e telhado exige conhecimento. Vá mandar um faz-tudo subir em cima da sua casa e verá o tamanho do problema que vai arrumar pra sua cabeça, porque a primeira coisa que ele vai fazer é pisar onde não deve e quebrar as benditas que protegem você e sua família do aguaceiro. Chegando ao museu que não é pequeno encontramos a raridade, mas tinha também mais um detalhe, precisava trazer a outra parte da telha senão não daria certo. Levamos somente a capa e faltava a tal da bica. 
Meu marido sofreu nesse dia, era pra tirar a telha completa e andamos por uns trinta depósitos só com a capa da telha achando que era a telha.
Meu Deus, essa foi demais! Teríamos que voltar para pegar a bica da telha ou a telha de nome bica.
Que situação hem? Rodei quase a cidade de SP inteira por causa de uma telha para aprender uma grande lição.
Por fim, resolvemos o problema. Agora sei que existe o museu das telhas onde se encontram verdadeiras relíquias. 
Descobri também telhas de mais de 200 anos e fabricadas pelos escravos. Muito me chamou atenção esse fato porque naquela época não existiam fôrmas para se fazer a telha. Elas eram fabricadas uma a uma e moldadas na coxa. Valeu todo o meu sacrifício, a minha mente embaralhada pelos acontecimentos dos últimos dias simplesmente viajou no tempo. Imaginei quantas cenas aquelas telhas presenciaram e na sua composição quanto suor daqueles que as confeccionaram.

Bom o meu drama de nome rio d'água proveniente de uma goteira mal cuidada graças a Deus chegou ao fim, o pedreiro consertou tudo, fez a reposição das telhas como manda o figurino e eu parei de olhar para o céu procurando nuvens carregadas de chuvas. Agora chove e eu estou feliz da vida. 


11 de fevereiro de 2014

QUERO MEU DINHEIRO DE VOLTA

19:28 1 Comments

Essa não foi dos tempos de criança não, foi exatamente no dia de hoje. E não é brincadeira passar por uma situação dessas. Batalhar pelos nossos objetivos é tarefa edificante e que só nos faz bem. Porem passar por certos absurdos, que nos tiram do sério e nos fazem um mal terrivel não é coisa do outro mundo não é desse mesmo.
E para não estender muito o assunto vamos direto ao ponto.
Fui até o Banco 24 Horas para fazer um saque. E para surpresa minha recebi a seguinte mensagem: "Operação Realizada Com Sucesso" e meu dinheiro que é bom, não saiu um centavo. Voltei pra casa num estado de nervos tão grande que pela misericórdia de Deus não fui atropelada.
Chegando em casa vou conferir o meu extrato e pra minha surpresa está lá um extrato constando um valor que não retirei. Liguei pro Banco Itau, que é onde tenho conta. O Banco me orienta para ligar para o Banco 24 Horas e fazer a ocorrência. Liguei e ficou naquele empurra empurra como se eu fosse algum boneco. O Banco me diz que é com o 24 Horas, e o 24 Horas me diz que é com meu Banco. Quero meu dinheiro de volta na minha conta, afinal trabalho de domingo a domingo e nada mais justo que coloquem meu dinheiro no lugar onde ele estava já que não veio para as minhas mãos. Não tenho tempo para sair das minhas obrigações para correr atras de Banco para reclamar daquilo que é meu. Portanto tratem de recolocar meu dinheiro onde estava, e aproveitem para dar um jeito nessas benditas máquinas de Banco 24 Horas, para que ninguem passe pelo que eu passei hoje. Porque nunca mais na minha vida pretendo usar essas máquinas para não passar o que eu passei na data de hoje ou seja, 11 de fevereiro de 2014.

Onde Está o Dinheiro "Gal Costa"